Inspirações – Uruguai para se achar

Uma viagem pode ter diversas motivações, mas algumas são realmente especiais. Eu sempre admiro as viagens transformadoras dos meus amigos ou nas situações transformadoras que os levaram à viajar e por isso dediquei um espaço especial no blog para estes relatos que poderão trazer inspiração para mim e para todos que passam por aqui. Para que sigam os mesmos passos ou que olhem para si mesmos e tenham coragem de colocar em prática seus próprios sonhos!

Para começar, ninguém melhor do que Dri Borghi. A Dri é minha parceira de aventuras no mundo real e no virtual (o blog dela é o sugestivo arrisque ousar) e é daquelas pessoas que todo mundo quer por perto. Ela está sempre por ai disposta a ouvir, a conhecer, a rir, a distribuir abraços calorosos e também errando e fazendo loucuras, mas sempre seguindo em frente. Às vezes, quando ela está precisando de bronca, eu digo que ela não aprende nada, mas não é verdade. Ela é daquelas poucas pessoas que está sempre batalhando para evoluir individualmente e como parte deste mundão ao qual pertencemos e que se depender dela será sempre e sempre melhor.

♥ Se é para inspirar, o que mais pode ser o ponto de partida senão saber olhar para si mesmo e perceber que é sempre possível progredir? ♥

É por isso que ela está aqui contando sua experiência no “spa da consciência”. O resto é com ela!!!

 

Costa Azul e Montevidéu, no Uruguai me encontrei. Por Adriana Borghi.

 

“Escreve sobre aquela sua viagem para o Uruguai?” Imensa alegria: estreiar essa parte da Expressinha, dedicada aos amigos e suas experiências de viagem.

Esse pedido me remeteu ao ano de 2009. Realizar essa retrospectiva foi incrível e prazeroso, principalmente por reafirmar algo que sinto como muito verdadeiro: tudo o que somos está diretamente implicado com tudo o que vivemos. Sinto que não dimensionamos totalmente o quanto certas viagens nos marcam, o tempo se encarrega de nos mostrar. 2009 foi o ano da viagem, fui duas vezes ao Uruguai, a primeira vez em janeiro e, a segunda, em julho.

Em janeiro, verão, fiquei apenas em Costa Azul, de frente para o mar, com pôr-do-sol até às 22hs da noite, vivendo minhas emoções intensamente em um “spa da consciência”. Gostei tanto que resolvi voltar com uma amiga em julho, no inverno. Faz muito frio mesmo, então prepare as luvas e demais aparatos!! No inverno pude aprofundar mais minha experiência de Uruguai, surgiu a ideia de começar um blog, inspirada pelas pessoas que encontramos e por tanto vento… Um protetor para as orelhas é muito bem-vindo, pois venta demais na cidade no inverno. Por essas e outras, detalharei mais a segunda viagem.

Uruguai Por do sol Costa Azul

Pôr-do-sol maravilhoso às 22hs no verão da Costa Azul

Eu e minha amiga planejamos a viagem sozinhas. Compramos as nossas passagens de ida e volta, São Paulo- Montevidéu, pelo site da GOL Linhas Aéreas. No “Aeropuerto de Carrasco” pegamos um ônibus comum até o centro de Montevidéu onde ficava nosso hotel. O Uruguai foi amor à primeira vista!! O estilo de vida vintage, uma certa experiência de poder voltar no tempo, sem perder a ternura, me contagiou. Podemos também analisar sob um aspecto menos romântico, da ferocidade do capitalismo sobre aquele país, mas esse não foi o primeiro pensamento que me invadiu quando vi um monza estacionado na rua.

Reservamos o Hotel Palácio de casa, em SP, por apenas uma noite, para chegar na cidade e poder sentir se era a melhor opção de conforto e localização. Apesar do preço do hotel ser bem atrativo, decidimos mudar no dia seguinte para um hostel vinculado à Hostelling International. Essa decisão foi a melhor, pois o café-da-manhã era muito bom, o banheiro possuía água quente, era limpo e espaçoso e, apesar do nosso medo do quarto coletivo, não tivemos nenhum problema. Ao contrário, fizemos alguns amigos músicos e muito divertidos, inclusive um deles mantenho contato até hoje.

Montevideo vintage?

Ficamos quatro dias em Montevidéu. Alugamos bicis no hostel e pedalamos pelas ramblas até o Mercado Del Puerto, o antigo mercado municipal, passando pelo centro histórico. No mercado comemos uma bela carne, acompanhada de cerveja Patricia. Energia gasta pedalando contra a ventania mais do que recompensada! No dia seguinte, curtimos a ressaca da balada do sábado na feira de domingo do Parque Rodo, onde fizemos boas compras de roupas e outros acessórios de frio, por um preço muito bom.

No terceiro dia em Montevidéu, resolvemos fazer um “bate-e-volta” até Colonia Del Sacramento ( Esta dica é uma “tem que ir!!” Boa comida, cidadezinha bem romântica, para casais apaixonados ou que querem ficar, linda vista de Buenos Aires!). Almoçamos por lá, andamos pelo centro histórico e descansamos numa mini praia à beira do rio Del Plata. De volta a Montevidéu, lamentamos não conseguir assistir à um espetáculo no teatro Solis, já que os ingressos estavam esgotados! Fica a dica: programe-se!

Uruguai Colonia del Sacramiento

Colonia del Sacramento!!!

No quarto dia, na hora do almoço, pegamos um ônibus (há ônibus direto do aeroporto ou do centro de Montevidéu para Costa Azul) para Costa Azul para chegar ao “spa da consciência”. Ficamos dez dias por lá, numa rotina de muita “unificação”, darshans e boa alimentação.

Conheci este “spa da consciência” por meio do Instituto Ser Humano (ISH) o qual freqüento desde 2002. Neste instituto participo de uma série de atividades com o objetivo – do que eu poderia resumir, simplificando muito – “de entrar em uma maior conexão comigo mesma”. São diversas as ferramentas que o instituto utiliza, tais como técnicas de meditação, a “presença” (elaborada inicialmente por George I. Gurdjieff) e um forte apoio nos preceitos do xamanismo. Na composição deste caldeirão, sempre que algo novo surge é muito bem-vindo, a fim de aprimorar essa “busca de conexão”.

Desse modo apareceu o sistema ISHA lá no ISH: como um sistema que propunha uma técnica de “unificação” com resultados muito interessantes. A sede desse sistema fica em uma praia chamada Costa Azul, no Uruguai, uma cidade que só “funciona” no verão. No inverno a praia fica vazia, muitos estabelecimentos ficam fechados, mas ainda assim é super aconchegante e linda.

Uruguai Costa Azul Spa da Consciência Isha

O “spa da consciência”

Quando eu soube que esta sede era uma espécie de “spa da consciência” fiquei com muita vontade de conhecê-la. Comecei a planejar a primeira viagem no final de 2008 e diversos fatores me incentivaram: estava passando por uma fase complicadíssima e que empurrou diversas mudanças na minha vida, algumas que ainda hoje estão em curso; alguns diziam que era culpa do retorno de saturno (oi rs?) – e eu penso que a culpa era mesmo minha, afinal eu comecei a questionar muito tudo que estava me incomodando na minha vida, desejando muitas mudanças. E, também, eu não viajava para o exterior desde 1998, eu estava sedenta por experimentar de novo essa sensação de ser “estrangeira”.

A experiência no “spa” foi indescritível, pois no verão, sozinha, eu estava mergulhada, “limpando” minhas questões, minhas angústias, tentando organizar a bagunça de sentimentos na qual eu me encontrava. Eu queria conseguir ficar mais tempo meditando – lá eles chamam essa prática de “unificação” – de olhos fechados, sem prejuízo do trabalho pessoal que eu realizava no ISH: eu desejava potencializar este trabalho, com a meditação de olhos fechados. A experiência foi muito forte, voltei bastante mexida e comecei diversas mudanças práticas (Unificação é o ato de ficar de olhos fechados, repetindo frases específicas, colocando um ponto específico de atenção que varia de acordo com a frase. Dessa prática, algumas emoções tais como raiva, tristeza, medo ou alegria podem emergir e, então, o praticante deve ir expressar a emoção identificada com um atendente que fica disponível para ouvir e orientar).

Montevideo Uruguai

Muita paz em Montevideo

No inverno, quando retornei, a experiência foi mais profunda, pois eu vinha praticando o “sistema” e estava conseguindo meditar por uma hora de olhos fechados tranqüilamente. Eu estava com uma amiga e encontramos outras amigas lá, isso tornou diferente a experiência. A energia do “spa” é muito forte, pois várias pessoas estão unificando ali. Voltei sentindo uma força interna muito grande, acessando um lugar profundo de paz interior.

Quanto à parte operacional, fiz contato pelo site e, com as datas escolhidas, fiz a reserva – paguei metade do valor antecipadamente, por meio do cartão de crédito. A rotina no “spa” é bem flexível. Há uma programação, mas você é livre para seguí-la ou não, afinal seu processo é seu: café-da-manhã, “unificação”, almoço, “unificação”, tempo livre, jantar e meeting (momento de compartilhar a experiência do dia, em roda). Nas épocas chamadas de “intensivos”, antes do almoço, acontecem os darshans que são momentos de conversa com a ISHA, espécie de mentora espiritual que sistematizou essa prática que eles chamam de “sistema ISHA”. Neste momento, os estudantes do sistema podem fazer perguntas e ela responde. Nos “intensivos” também há uma programação de atividade física de manhã e na parte da tarde para quem se interessar.

Em que pese algumas críticas que hoje eu tenho ao sistema, essa viagem foi um marco para mim. Depois dela minha relação comigo mesma e com os relacionamentos que travo no mundo mudou completamente. Minha relação com as minhas emoções, como as sinto, como as expresso, também. Continuo realizando meu trabalho pessoal no ISH, minha família escolhida com o coração. Não voltei ao Uruguai, mas guardo essa experiência com carinho porque hoje sei (o tempo, sábio senhor) que contribuiu muito no meu processo pessoal. Fica para mim a certeza de que é preciso, além de “limpar”, “mover” – seja lá o nome que se quiser dar para as mudanças de qualquer ordem que realizamos nas nossas vidas – conseguir também ser verdadeiro consigo mesmo no que se refere às emoções que sentimos. Identificar as emoções e expressá-las para poder abrir espaço para o “novo” entrar é o ciclo eterno da vida.

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2 Resultados

  1. Juliana Camargo Penteado disse:

    Dri eu te amo!
    Bru, parabens pela iniciativa sua linda!

  2. Maila disse:

    Esse movimento desconfortável de adaptação nas viagens é meu grande vício

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