<p style="text-align: justify;"><strong>Relatos de um Gato Viajante</strong> da autora japonesa Hiro Arikawa é um livro bem singelo que tem feito enorme sucesso mundo afora e é uma forma delicada de conhecer um pouco da literatura japonesa. É um livro cheio de particularidades, que nos faz viajar por lindas paisagens do Japão e por isso resolvi escrever umas linhas sobre ele. Vem junto!</p>
<div id="attachment_12540" style="width: 648px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-12540" class=" wp-image-12540" src="https://expressinha.com/wp-content/uploads/2022/05/Relatos-de-um-gato-viajante-Hiro-Arikawa-1.jpg" alt="Relatos de um gato viajante Hiro Arikawa" width="638" height="500" /><p id="caption-attachment-12540" class="wp-caption-text">Relatos de um gato viajante Hiro Arikawa</p></div>
<h2 dir="ltr" style="text-align: justify;">Relatos de um Gato Viajante &#8211; Hiro Arikawa &#8211; Linhas Gerais</h2>
<div dir="ltr" style="text-align: justify;">Neste livro acompanhamos a história de Satoru, um jovem que sai em uma jornada pelo Japão em busca de um novo lar para seu gato, o Nana.</div>
<p style="text-align: justify;">Nana é um gato de rua resgatado por Satoru e é o narrador muito perspicaz da história. Acompanhando as viagens que a dupla faz numa van, vamos descobrindo as paisagens japonesas ao mesmo tempo em que passeamos pelo passado de Satoru e vamos entendendo quem é esse personagem e por quê ele precisa se desfazer do gato (vai dizer que você já não estava julgando?!).</p>
<div dir="ltr" style="text-align: justify;">O livro é delicado, e nos toca por sua universalidade, afinal, além dos gatos serem amados em qualquer lugar do globo, também a história poderia ocorrer com qualquer um.</div>
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<div dir="ltr" style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo, também há muitos detalhes da cultura nipônica que são bem diferentes da nossa e é uma narrativa super interessante para quem quer começar a ler mais da <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://expressinha.com/literatura-japonesa-livros-sobre-japao/">literatura japonesa</a> (aqui tem mais dicas)</strong></span>.</div>
<p style="text-align: justify;">Há, por exemplo, a questão do respeito à privacidade, super importante no Japão e que aparece no livro como o respeito ao direito de Satoru de não dizer o que está acontecendo com ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que os amigos especulam, imaginam e até perguntam, mas quando ele se recusa a falar, todos respeitam (e assim ajudam também na construção da trama, que se revela aos poucos).</p>
<p style="text-align: justify;">Também aparecem rituais que misturam budismo e xintoísmo super interessantes de conhecermos. Se quiser saber mais, nesse post sobre <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://expressinha.com/religiao-no-japao-anterior-ao-budismo/">religiões do Japão</a></strong></span> falo um pouco sobre o sincretismo e algumas tradições religiosas japonesas.</p>
<div dir="ltr" style="text-align: justify;">Mais abaixo tem um pouco de<em> spoiler</em>, mas não exatamente sobre a história, mesmo que você não tenha lido, não vou te estragar a leitura depois. Aproveite e clique aqui abaixo para comprar:</div>
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<div dir="ltr" style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&;OneJS=1&;Operation=GetAdHtml&;MarketPlace=BR&;source=ss&;ref=as_ss_li_til&;ad_type=product_link&;tracking_id=expressinha01-20&;language=pt_BR&;marketplace=amazon&;region=BR&;placement=8556520480&;asins=8556520480&;linkId=e2dc3726a1787c55ba96dab674b5f37f&;show_border=true&;link_opens_in_new_window=true" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" sandbox="allow-popups allow-scripts allow-modals allow-forms allow-same-origin"></iframe></div>
<h2 dir="ltr">Eu Sou Um Gato de Natsume Soseki &#8211; Uma Inspiração</h2>
<div dir="ltr" style="text-align: justify;">Apesar da história do <em>Relatos de um Gato Viajante</em> em si ser bem comum, a autora parte de um elemento super popular no Japão, o gato (aproveitem para conhecer a <a class="yiv8135267278ydp19a5841eyiv2972674953" href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2021/05/a-fascinante-historia-por-tras-do-popular-gato-da-sorte" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">lenda do gato da sorte, o manekineko</a>) e ainda busca inspiração num clássico da literatura japonesa citado logo na primeira frase, o &#8220;<a href="https://amzn.to/3h7G50f" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer"><em>Eu sou um gato</em></a>&#8220;, do Natsume Soseki, que é um marco da literatura moderna nipônica e é provavelmente o livro mais conhecido do Japão.</div>
<p style="text-align: justify;">O Soseki foi muito inovador com relação à língua japonesa ao começar a escrever de uma forma gramatical que facilitava a tradução para o inglês e escreveu esse clássico em 1905 após voltar de um período de intercâmbio em Cambridge.</p>
<div dir="ltr" style="text-align: justify;">De certa forma, quando o país ainda era extremamente fechado, Soseki deu início à uma abertura da literatura japonesa para o mundo e também trouxe a inspiração ocidental para o país ao fazer uma dura crítica à sociedade japonesa pelo olhar de um gato, num estilo de texto inspirado em autores ingleses e que acabou sendo um registro importante que acontecerem no começo do século XX no Japão, no chamado Período Edo.</div>
<p style="text-align: justify;">Me parece que as pessoas fazem uma interpretação um pouco superficial dessa referência. É verdade que a inspiração narrativa é óbvia, mas o texto faz também um espelhamento das ideias de Soseki numa releitura atualizada.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto em <em>Eu Sou um Gato</em> o tom é de crítica generalizada ao comportamento humano, incluindo a forma como as pessoas se relacionam, desprezam umas às outras e os animais, são preguiçosas, complacentes e duras, especialmente com as mulheres, em <em>Relatos de um Gato Viajante</em>, a autora parece querer mostrar que os humanos podem ser doces, gentis, companheiros, cuidadosos e, principalmente, carinhosos com os animais.</p>
<p style="text-align: justify;">A oposição dos personagens principais das obras (gatos e donos de gatos) é evidente e me parece ir um pouco além da inspiração narrativa. Está um pouco mais para redenção humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Hiro Arikawa também faz algumas críticas às estruturas sociais e familiares que ainda hoje são excessivamente arcaicas e exigentes, mas de forma mais delicada.</p>
<p style="text-align: justify;">O núcleo familiar de Kosuke, um dos personagens amigos de Satoru, por exemplo, representa bem essa crítica. O pai se prende à regras e tradições sociais, mas se ressente com isso e reduz a esposa e o filho sempre que pode.</p>
<p style="text-align: justify;">Kosuke não consegue resistir às pressões do pai e, mesmo com rancor, deixa que quase todos os rumos da sua vida sejam determinadas por ele. E há outros pontos em que a forma como a sociedade japonesa se organiza é questionada.</p>
<div id="attachment_12549" style="width: 677px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-12549" class=" wp-image-12549" src="https://expressinha.com/wp-content/uploads/2022/05/43EF1BF0-4895-4A05-8963-C425272995C9-scaled.jpeg" alt="Livros sobre o Japão" width="667" height="500" /><p id="caption-attachment-12549" class="wp-caption-text">Eu Sou um Gato e Relatos de Um Gato Viajante, livros sobre o Japão.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Já o trabalho como uma força imperiosa na vida de muitos japoneses aparece principalmente no papel dos pais de outro amigo, o Yoshimine, mas também no da própria tia do Satoru. O comportamento deles nos causa estranheza, mas esse distanciamento das crianças em prol da dedicação ao trabalho aparece frequentemente em livros japoneses como algo normal.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que isso, enquanto a forma como as mulheres são referenciadas na obra de Soseki é de uma claríssima inferioridade, num papel exclusivo de mãe e dona de casa, Hiro Arikawa não esconde que ainda hoje essa a mulher japonesa é constantemente reduzida à estas mesmas &#8220;funções&#8221;, representando nas mulheres da família de Satoru um pouco das dificuldades ainda enfrentadas por elas.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">A sensação é de que enquanto Soseki falou de um período de transição do Japão para o moderno, Arikawa fala à Soseki do futuro, onde o Japão é moderno, mas ainda tem raízes profundas nas tradições antigas. Um avesso com o mesmo forro.</span></p>
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<p>E essa inversão vai também para o estilo. O livro de Soseki é longo, cheio de detalhes e acontecimentos cotidianos. Já Hiro Arikawa optou por uma linguagem bem direta, ainda que entremeada de significados ocultos como é comum na literatura japonesa.</p>
<div dir="ltr">Acho também interessante que a Hiro escolheu um gateiro masculino para a história, não permitindo, portanto, que a personagem principal fosse a &#8220;louca dos gatos&#8221; como muitas vezes são vistas as mulheres. O personagem de Soseki também era masculino, mas sem qualquer aspecto de zelo ou proteção pelo gato, então há uma suavização desse papel do dono de gato.</div>
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<p style="text-align: justify;">Por fim, é curioso que Soseki ficou órfão quando era criança, passou a ser criado pela tia que, por sua vez, o entregou para uma outra família que nunca o acolheu verdadeiramente.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele se encontrou nas palavras e construiu uma carreira como um renomado professor universitário, contrariando todas as expectativas. Mesmo com essa vida complicada, deixou como legado seus métodos e livros que inspiram autores japoneses até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Já no <em>Relatos de um Gato Viajante</em>, vamos acompanhando um menino muito doce e resiliente, que perde os pais ainda criança e é obrigado a trilhar um caminho difícil, numa semelhança com a vida real de Soseki &#8211; e de um gato de rua &#8211; que não me parece simples coincidência. ;-)</p>
<h2 dir="ltr" style="text-align: justify;">A importância dos nomes e números no Japão e em Relatos de um Gato Viajante de Hiro Arikawa</h2>
<div dir="ltr" style="text-align: justify;">Uma dos destaques de <em>Relatos de um Gato Viajante</em> é justamente o nome que é dado ao gato. Há uma brincadeira sobre a literalidade do nome escolhido &#8211; Nana &#8211; que significa 7, como o rabo do gato, que é torto como o numero.</div>
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<div dir="ltr" style="text-align: justify;">Mas no Japão os nomes sempre tem significado (talvez em todas as línguas, mas lá me parece especialmente importante) e são escolhidos cuidadosamente e no livro &#8211; e na literatura japonesa &#8211; essa simbologia é muito forte.</div>
<p style="text-align: justify;">No Japão, os números são envoltos em diversas superstições ligados aos fonemas similares.</p>
<p style="text-align: justify;">O número 4, por exemplo, tem uma pronúncia parecida com morte e os japoneses o consideram um número de mau agouro e até evitam usá-lo!</p>
<p style="text-align: justify;">Já o 8, nome do primeiro gato do Satoru, é um número auspicioso, pois seus caracteres foram traços que se abrem em ascendência, simbolizando fortuna.</p>
<p style="text-align: justify;">O gato do livro se preocupa se, por conta do gato anterior se chamar 8, ele vai se chamar 9, número cuja pronúncia é similar à de sofrimento. Já pensou?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas inspirado no rabo, Satoru o chama de 7. A pronúncia original do 7, porém, é “shichi” (lê-se &#8220;shití&#8221;), sendo a primeira sílaba também muito similar à “morte”, como o 4.</p>
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<p>Por isso os japoneses não falam shichi para não atrair algo ruim e renomearam o 7 como “nana”, o nome que Hiro Arikawa usa em Relatos de um Gato Viajante.</p>
<div dir="ltr">Mas tem mais! Assim como em muitas culturas, o 7 é considerado um número sagrado no Japão. Comemora-se o 7º dia de vida de um bebê e também há homenagens no 7º dia de morte, os budistas acreditam em 7 encarnações, em 7 princípios zen, entre outras referências místicas.</div>
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<p>A mais famosa delas é a do <i>Takarabune</i>, o barco da fortuna onde navegam os <i>Shichi-fuku-jin</i>, os 7 deuses da sorte (vocês com certeza já viram a imagem de alguns deles, podem googlar e confirmar).</p>
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<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, há uma nuance ai que tem muito a ver com a história, que vai justamente nos colocar cara a cara com a dualidade sobre o bom e o mau, o que é sorte, o que é morte, entre outras sutilezas que talvez a gente perca um pouco na tradução, mas que são lindas de observar mais a fundo.</p>
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<p>Também existe um famoso provérbio japonês que une o 7 e o 8 e tem muito a ver com a história do Satoru: <i>“nana korobi ya oki</i> &#8211; ä¸è»¢ã³å «èµ·ã” que significa “caia 7 vezes, levante-se 8”. Aprendi na ótima página <a href="https://www.instagram.com/komorebitranslations/" target="_blank" rel="nofollow noopener" class="broken_link">Komorebi</a> da Anna Ligia e imediatamente fiz a ligação com a história!</p>
<div dir="ltr">E veja que interessante: no &#8220;Eu Sou um Gato&#8221; do Soseki, o gato não recebe um nome, demonstrando claramente que seu dono não é nem de longe um gateiro. A gente lê o livro de Soseki inteiro para descobrir se vai rolar uma conexão entre o gato e a família com que vive, mas esse simples fato já diz tudo, assim como a importância do nome no Relatos de um Gato Viajante já diz muito sobre a intenção da Hiro Arikawa na sua releitura.</div>
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<div id="attachment_12550" style="width: 734px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-12550" class=" wp-image-12550" src="https://expressinha.com/wp-content/uploads/2022/05/maneki-neko-3436469_960_720.jpg" alt="manekineko" width="724" height="407" /><p id="caption-attachment-12550" class="wp-caption-text">Gatos são símbolos da cultura japonesa! Manekineko</p></div>
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<h2>Um roteiro de viagem pelo Japão</h2>
<div dir="ltr" style="text-align: justify;">Por fim, não posso negar que o fato de existir uma viagem pelo Japão me fez gostar do livro de cara, já que por aqui ler e viajar estão no topo da lista de melhores coisas da vida! Rá-Rá</div>
<p style="text-align: justify;">Apesar do Relatos de um Gato Viajante não ser focado no turismo da dupla e a viagem representar mais um ciclo de vida, dá para ter um gostinho do que o Japão nos apresenta. E é uma delícia.</p>
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<p>No livro a viagem é de busca de um novo lar para o gato, mas também é uma viagem ao passado, rememorando momentos importantes e fechando questões da vida de Satoru.</p>
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<p>Logo na primeira parada, quando ele volta à infância e ao passeio de escola com Kosuke, os dois viajam para uma das cidades mais emblemáticas que fica bem no meio do Japão: Kyoto, a cidade dos mil templos.</p>
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<p>E reflete uma das cenas mais comuns dos templos no Japão: a das excursões escolares. Os pequenos vão aos templos conhecer, meditar em grupo (juro!) e também para praticar inglês, quando abordam os estrangeiros e pedem para bater um papinho. Eu adorava esses momentos fofíssimos! Ganhei vários <i>hachis</i> e <i>tsurus</i> de aluninhos diversos.</p>
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<p>Apesar da profusão de templos de Kyoto, é citado explicitamente o <i>Kinkaju-ji</i>, o Templo do Pavilhão Dourado, que é lindíssimo e é daqueles lugares que formam muvucas enlouquecidas de japoneses tirando fotos. Mais clichê impossível.</p>
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<p>Também são citadas as lojinhas de lembrancinhas e nesse momento a autora faz referência à outro templo super importante do Japão, mas de forma indireta, o <i>Kiyomizudera. </i>É um templo gigantesco, todo construído sem um único prego, somente com encaixes!</p>
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<p>Bom, para chegar à este templo, só há um caminho que passa pelo <i>Higashiyama District</i>, um conjunto de ruelas onde SÓ tem lojas. É uma tentação, tem muitas comidinhas, todo tipo de cacareco, quimonos, leques, papéis tradicionais e etc etc etc.</p>
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<p>Os japoneses piram demais nessas lojinhas, é impossível que eles passem por lá sem comprar nada! Bom, é impossível para nós também! Rá-Rá. Essa foto aqui é real de lá ðð»</p>
<div id="attachment_12543" style="width: 759px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-12543" class=" wp-image-12543" src="https://expressinha.com/wp-content/uploads/2022/05/image3-scaled.jpeg" alt="Lojas no Japão" width="749" height="499" /><p id="caption-attachment-12543" class="wp-caption-text">Uma loja em Kyoto, na região citada em Relatos de um Gato Viajante.</p></div>
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<p>E tem sede em Kyoto, com uma lojinha ali perto do templo, a <i>Yojiya</i>, a marca de cosméticos mais conhecida do Japão. Foi fundada em 1904 e é praticamente uma instituição nacional.</p>
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<p>A Yojiya tem vários produtos, mas ficou muito famosa pelos lencinhos que Satoru procura para a mãe em Relatos de um Gato Viajante e que servem para tirar a oleosidade da pele. Lembrando que Kyoto é a cidade &#8220;oficial&#8221; das gueixas, cuja maquiagem deve se manter perfeita o tempo todo.</p>
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<p>Depois, com Yoshimine, eles relembram a excursão à Fukuoka. Essa é a quarta maior cidade do Japão, considerada uma das melhores do mundo para se viver e cheia de cerejeiras, museus e templos que atraem muitos visitantes.</p>
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<p>Fica bem na pontinha do Japão, no sentido &#8220;sul&#8221;, próxima da Coréia e China. Só Okinawa e suas famosas praias paradisíacas ficam mais longe.</p>
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<p>E essa parte da jornada termina perto do Monte Fuji, a montanha símbolo do Japão que Nana descreve como ninguém. É impossível entendê-lo sem ser ao vivo!</p>
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<p>A admiração que o gato sente ao se ver cara a cara com a montanha é perfeita. Igual à sensação de estar lá. Já escrevi sobre o <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://expressinha.com/como-visitar-o-monte-fuji-lago-kawaguchiko/">Monte Fuji</a></strong></span> aqui nesse post e guardo com profundo carinho os dias que passei lá no lago Kawaguchiko, aos pés dele! <;3</p>
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<p>Aquela montanha enorme, solitária e imponente é de uma magnitude avassaladora. Inclusive eu moraria lá e cataria pêssegos nas inúmeras plantações que surpreendem quem espera um Japão super mega tecnológico e dá de cara com a simplicidade das plantações familiares por todo lado iguaizinhas às do livro.</p>
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<div id="attachment_12544" style="width: 758px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-12544" class=" wp-image-12544" src="https://expressinha.com/wp-content/uploads/2022/05/A6C05752-3782-48AE-BE6E-AAD210F31366.jpeg" alt="Monte Fuji" width="748" height="499" /><p id="caption-attachment-12544" class="wp-caption-text">Monte Fuji, uma das estrelas do relatos de um Gato Viajante, livro de Hiro Arikawa</p></div>
<p>Apesar do tom mais melancólico da temporada deles em Hokkaido, que vem a seguir, achei que foi interessante a escolha de Hiro Arikawa por concluir ali a narrativa.</p>
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<p>Como ela bem descreveu, Hokkaido é uma região de enormes planícies, lagos e também algumas montanhas que atraem os amantes das trilhas e animais.</p>
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<p>Uma área bem mais natural, preservada e aberta que nos remete à novos caminhos e que nos faz olhar para a beleza que nos rodeia.</p>
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<p>É também uma região bem fria, realmente conhecida como &#8220;País das Neves&#8221; que inclusive é o nome de outro livro clássico japonês escrito por Yasunari Kawabata, numa outra referência literária do Relatos de um Gato Viajante.</p>
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<p>Se você olhar no mapa, vai ver que Hokkaido fica lá em cima, já perto da Rússia, na altura da Sibéria!</p>
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<p>É por isso que embora tenha um inverno muito rigoroso, também é o paraíso dos esportes na neve e tem um monte de hotel dos sonhos com muitos <i>onsens, </i>que são deliciosas piscinas de águas termais naturais.</p>
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<p>Enfim, Hokkaido é um lugar onde, mesmo sendo difícil sobreviver, há muitas maravilhas para quem se dispõe a buscar a felicidade.</p>
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<p>No fim das contas, acho que o livro traz esse recado, para não vivermos apenas no lado ruim das coisas, em remorsos e culpas, em futuros incertos, em planos nunca postos em prática.</p>
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<p>Também é linda a forma como a dupla vai se conectando à beleza que existe ao nosso redor e vai criando lembranças inesquecíveis. No fim, não é isso que importa para todos nós, os momentos que passamos juntos e presentes com quem amamos?</p>
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<p>Nana diz uma frase que para mim é perfeita e aplicável a todos os seres: &#8220;<i>As paisagens que um gato jamais verá são muito maiores do que tudo que ele chega a conhecer.&#8221;</i></p>
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<p>A gente nunca vai conhecer tudo, mas como é bom cada lugar novo que a gente conhece, cada lembrança que a gente cria nos caminhos&#8230; Todos os nossos trajetos são únicos e incríveis. Que a gente possa ver cada vez mais paisagens &#8211; as literárias e as reais também!</p>
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<p>Por tudo isso, recomendo a leitura do <em>Relatos de Um Gato Viajante</em> e recomendo mais ainda conhecer outras obras de autoras japonesas como Hiromi Kawakami e o lindo <a href="https://amzn.to/3MNw32W">A Valise do Professor</a>, Sayaka Murata e comentadíssimo <a href="https://amzn.to/3vS7A6o" target="_blank" rel="nofollow noopener">Querida Kombini</a> ou <a href="https://amzn.to/3syD4fB">Tsugumi</a> de Banana Yashimoto, todos desvendando um pouco do Japão para nós!</p>
<p>A <a class="yiv9181254994ydp4aa262a2yiv4605776146" href="https://estacaoliberdade.com.br/livraria/livros-de-literatura-japonesa?page=4" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">Editora Estação Liberdade</a> é quem mais publica traduções do japonês, então o site deles é um ótimo lugar para encontrar outras referências.</p>
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<p><img class="aligncenter wp-image-12552" src="https://expressinha.com/wp-content/uploads/2022/05/5665E957-9524-4BFC-859B-558A07A4F28A.png" alt="Dica de leitura: Relatos de um Gato Viajante, livro de Hiro Arikawa e que é uma ótima forma de começar a conhecer a literatura japonesa!" width="499" height="749" /></p>
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Relatos de Um Gato Viajante – Livro por Hiro Arikawa

