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Museu do Reggae – Contando a História do Reggae Maranhense

Museu do Reggae do Maranhão

<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">O Museu do Reggae é uma parada obrigatória essencial numa viagem para São Luis do Maranhão&period; O reggae em São Luis não é apenas um estilo musical apreciado&comma; mas um verdadeiro movimento social e antropológico&period; Um estilo de vida&period; E é ali que você vai conhecer um pouco mais da história do reggae maranhense&period; Acredite&comma; todo mundo sai dançando reggae no Maranhão e você não vai ser diferente&excl;<&sol;p>&NewLine;<div id&equals;"attachment&lowbar;13117" style&equals;"width&colon; 1034px" class&equals;"wp-caption aligncenter"><a href&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;IMG&lowbar;0722-2-scaled&period;jpg"><img aria-describedby&equals;"caption-attachment-13117" class&equals;"size-large wp-image-13117" src&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;IMG&lowbar;0722-2-1024x819&period;jpg" alt&equals;"" width&equals;"1024" height&equals;"819" &sol;><&sol;a><p id&equals;"caption-attachment-13117" class&equals;"wp-caption-text">Museu do Reggae&colon; parada obrigatória em São Luis do Maranhão para conhecer a história do reggae maranhense&period;<&sol;p><&sol;div>&NewLine;<h2>Museu do Reggae &&num;8211&semi; Contando a História do Reggae Maranhense<&sol;h2>&NewLine;<p>Você sabe por que o reggae é tão importante no Maranhão&quest;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Tem a ver com a musicalidade&comma; com as mensagens do reggae&comma; mas tem muito a ver com a periferia encontrando lugares  para curtir que se espalhou e se transformou numa parte da própria identidade da cidade&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">O reggae é tão Maranhense que São Luis tem até o Dia do Regueiro&comma; celerado em 5 de setembro&excl; E&comma; claro&comma; tem um Museu do Reggae com curadoria de Ademar Danilo um dos maiores regueiros e estudiosos do tema&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">O Museu do Reggae é pequeno e simples&comma; mas representa bem isso tudo que acabei de dizer&period; Dividido em espaços que homenageiam os primeiros e mais famosos clubes onde a galera se reunia para curtir o reggae lá nos primórdios do movimento&comma; conta como tudo começou&comma; quais são os artistas&comma; LPs e músicas que fizeram história&comma; como&comma; só para citar um exemplo&comma; Célia Sampaio&comma; a &&num;8220&semi;Dama do Reggae&&num;8221&semi;&period; Também está exposta no museu &&num;8220&semi;A Voz de Ouro Canarinho&&num;8221&semi; para a gente entender do que se tratam as tais radiolas&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">A visita é rápida&comma; mas guiada por jovens que nos levam por uma outra viagem em São Luis&comma; por esse universo desconhecido que é a nação regueira maranhense&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Sério&comma; eu até gosto de reggae&comma; mas descobri lá que meus conhecimentos eram parcos e que eu realmente não fazia ideia do que ele representa e de como é vivido no Maranhão&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">E saí do Museu do Reggae ainda mais curiosa do que entrei&period; Afinal&comma; como é que o reggae&comma; um ritmo jamaicano de poucas conexões com o Brasil&comma; se transformou no símbolo do Maranhão&quest;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Existem várias lendas sobre rádios que pegavam as ondas de Kingston &lpar;cidade jamaicana&rpar; e outras ainda mais malucas&comma; mas a verdade é que ninguém sabe ao certo como ele chegou&comma; apenas que há 50 anos alguém tocou&comma; alguém gostou e assim foi se espalhando pelas festas&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Mas o que me causou enorme curiosidade era &&num;8220&semi;o quê&&num;8221&semi; no reggae tinha atraído aquelas pessoas&comma; já que o reggae se espalhou na periferia&comma; entre uma população que supostamente não falava inglês largamente &lpar;e que mesmo que falasse&comma; podia não compreender o inglês jamaicano&comma; cheio de gírias e fonemas próprios como inclusive ocorreu com muitos americanos e ingleses&rpar;&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Como o reggae tocou aquelas almas a ponto de se transformar na expressão da identidade delas&quest; Aí&comma; rapaz&comma; a coisa fica muito interessante&excl;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Uma resposta simples é que as pessoas foram cativadas pela musicalidade&comma; pelos sons dos instrumentos e até do <em>patois<&sol;em>&comma; uma linguagem jamaicana que ressoa nos corações dos afro descendentes de origem <em>jeje <&sol;em>do Maranhão&period; Era comum&comma; inclusive&comma; que as melodias se transformassem em &&num;8220&semi;melôs&&num;8221&semi;&comma; com o aportuguesamento de expressões em inglês por motivos de&colon; somos brasileiros&comma; né&quest; Busque ai a história de &&num;8220&semi;Melô do Carangueijo&&num;8221&semi; ou &&num;8220&semi;Melô do Au Au&&num;8221&semi; que são simplesmente incríveis&comma; puro suco de Brasil&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">E já que aportuguesaram uns trechos de música&comma; também criaram várias expressões próprias&period; E já que tinha seu próprio vocabulário&comma; começaram a dançar juntinho&period; E já que todo mundo tava gostando de tudo isso&comma; bora dançar juntinho na beira da praia&comma; que é mais gostoso ainda&period; E pronto&colon; São Luis é a Jamaica Brasileira&period;<&sol;p>&NewLine;<div id&equals;"attachment&lowbar;13116" style&equals;"width&colon; 698px" class&equals;"wp-caption aligncenter"><a href&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;IMG&lowbar;6673-2-scaled&period;jpg"><img aria-describedby&equals;"caption-attachment-13116" class&equals;" wp-image-13116" src&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;IMG&lowbar;6673-2-780x1024&period;jpg" alt&equals;"Museu do Reggae&period; Reggae Maranhense&period;" width&equals;"688" height&equals;"903" &sol;><&sol;a><p id&equals;"caption-attachment-13116" class&equals;"wp-caption-text">Amo essa foto lá do Museu do Reggae em São Luis&colon; casal dançando reggae no Maranhão&comma; na praia&comma; de biquini&comma; coladinho&period; Tem coisa mais Brasil&quest; Reggae Maranhense&period;<&sol;p><&sol;div>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">O reggae surge em São Luis na década de 70 e lá pelos anos 80 o reggae já era uma febre na cidade toda&period; Embora exista muito preconceito pelas origens periféricas e pelo público não branco&comma; invade aos poucos outras esferas da sociedade e se firma como uma importante manifestação cultural local&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Mas mesmo sabendo de tudo isso&comma; eu ainda me pergunto se não tem algo mais que liga o Maranhão à Jamaica&period; Gosto de pensar que sim&comma; que não é apenas o ritmo e a &&num;8220&semi;onda&&num;8221&semi; que fez o povo se apaixonar&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Se nos aprofundarmos mais em entender de onde surge a cultura rastafari&comma; vamos chegar à uma proposta de releitura da Bíblia&comma; que busca justamente revisar e destacar as referências ao homem negro &lpar;Núbios&comma; Etíopes e Egípcios especialmente&rpar;&comma; que foram apagadas ao longo da história para transformar a história de Jesus em uma história apenas de &&num;8220&semi;brancos&&num;8221&semi;&comma; esquecendo todas as referências africanas de seus livros&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">A partir dessa releitura panafricana&comma; o reggae surge como uma expressão musical para refutar essa tentativa de apagamento e hegemonização histórica&comma; para cantar as belezas afrocentradas&comma; denunciar a opressão e criminalização dos povos negros e se transforma numa voz das periferias&comma; um chamado ao resgate do amor próprio e respeito&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Há quem diga que no Maranhão o reggae não tem o a caráter político que teve em outras partes do mundo&comma; até porque em São Luis o gênero preferido é o reggae &&num;8220&semi;romântico&&num;8221&semi;&period; Mas eu acho é pouco&period;<&sol;p>&NewLine;<h2 style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Reggae no Maranhão &&num;8211&semi; Uma Nação Com Origens Ancestrais<&sol;h2>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Por mais que em São Luis o reggae não tenha se apegado a um discurso preponderantemente politizado&comma; não é tão simples chegar à razão&period; Pode ser por barreiras linguísticas&comma; pode ser porque o reggae foi adotado como um alívio das pressões sociais que já eram enormes&comma; pode ser porque a melodia levou à uma dança mais sensualizada&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Mas ainda assim&comma; a essência do reggae ecoa&comma; com ou sem consciência&period; Os rastafaris resgataram um profundo orgulho identitário ao colocarem o povo negro em destaque e se oporem à exploração&period; Seus símbolos se espalharam&comma; como as cores da bandeira etíope &&num;8211&semi; vermelho&comma; verde e amarelo &&num;8211&semi; que foram adotadas por vááários países africanos após suas libertações e que são as cores oficiais do reggae&comma; além da figura do leão&comma; que representa a força e o poder africano&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Ao mesmo tempo que trouxeram essa mensagem de luta anti sistema contra as injustiças&comma; os rastas também trouxeram uma mensagem de paz&comma; de desapego&comma; de vida simples e união&comma; conceitos que além de bonitos&comma; são capazes de cruzar barreiras linguísticas&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Isso tudo veio junto com a música pelos mares&comma; tenho certeza&comma; e reverberou no povo da diáspora africana maranhense&comma; que ressignificou as melodias pelo que sentiam&comma; mesmo que não entendessem plenamente suas letras&period; A música é muito poderosa&excl;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">E se formos mais longe ainda e avaliarmos o fluxo de envio de escravos de determinadas partes da África veremos que há ligações ancestrais entre os povos jamaicano e maranhense &lpar;e caribenha e norte americana com Cuba&comma; New Orleans com toque musical como o ska&comma; o rocky steady&comma; o R&amp&semi;B&comma; o blues&rpar;&comma; o que me faz crer que o fluxo musical que se estabeleceu séculos depois não veio do nada e sim de uma ancestralidade profunda&comma; cujas memórias de laços e afetos se transferem por gerações não importa onde estejam&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Bem&comma; antes que você ache que eu estou viajando&comma; saiba que tem gente seríssima estudando justamente isso tudo que resumi mais ou menos&period; Se você se interessar&comma; pode mergulhar em mais pesquisas que vai ficar encantando&period;<&sol;p>&NewLine;<div id&equals;"attachment&lowbar;13118" style&equals;"width&colon; 686px" class&equals;"wp-caption aligncenter"><a href&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;IMG&lowbar;6671-scaled&period;jpg"><img aria-describedby&equals;"caption-attachment-13118" class&equals;"wp-image-13118 " src&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;IMG&lowbar;6671-768x1024&period;jpg" alt&equals;"Para sair dançando reggae no Maranhão" width&equals;"676" height&equals;"901" &sol;><&sol;a><p id&equals;"caption-attachment-13118" class&equals;"wp-caption-text">LPs Clássicos para o reggae maranhense &lpar;e mundial&rpar; em exposição no Museu do Reggae&period; Para sair dançando reggae no Maranhão&excl;<&sol;p><&sol;div>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Acho que esse depoimento do Sapo&comma; um peixeiro de São Luis e que é a coisa mais linda&comma; dá um pouco dessa dimensão que estou dizendo&colon;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">&&num;8220&semi;<em>Começamos a dançar reggae no quintal&comma; num cercado de palha&comma; no Sá Viana&comma; na Praia do Gaspar&comma; radiolas grandes e pequenas&comma; o reggae é uma maravilha&period; Eu gosto do reggae roots&comma; eletrônico não&comma; não têm essa pegada&period; <strong>Meu lazer é reggae&period;<&sol;strong> Peixeiro&comma; aí eu sou aposentado como peixeiro&period; Sou viúvo&comma; tenho nove netos&comma; seis filhos&period; Já fui evangélico&comma; passei dois anos na igreja&comma; não agüentei&comma; às vezes eu tava na igreja aí escutava uma batida de reggae não agüentava&period; No tempo que nós aprendemos a dançar era calça preta&comma; camisa branca&comma; cinturão preto&comma; boina branca&comma; ninguém sabia as cores&comma; aí fomos criando&comma; criando até descobrir uma origem&comma; até que apareceu a original&comma; as cores originais&period; <strong>Os jamaicanos eles faz muita mímica&comma; muita coreografia&comma; quando ele faz assim &lpar;abre os braços&rpar; pedindo a Deus&comma; abraça-me&period;<&sol;strong> <strong>O reggae pra mim é uma cultura autônoma&comma; nossa&comma; trazendo muita paz&comma; respeito&comma; integridade&comma; fibra e cultura&comma; o reggae pra mim sempre foi uma cultura&comma; uma cultura&period;<&sol;strong> <strong>Nós maranhenses já trazemos esse ritmo no corpo<&sol;strong>&comma; já nascemos com esse ritmo no corpo&comma; dançamos bumba-boi&comma; dançamos tambor-de-crioula&comma; dançamos tambor-de-mina&comma; batemos tambor-de-mina&comma; tudo isso é cultura&comma; <strong>trazemos no coração&comma; toca no corpo todo&comma; o reggae toca no corpo todo&period;<&sol;strong> Sou regueiro antigo&comma; desde 1970&period; <strong>O reggae levanta a gente assim<&sol;strong>&comma; o reggae nasceu para o povo&period; Ele saiu lá da Jamaica&comma; todo mundo coleciona reggae&comma; alemão&comma; japonês coleciona muito reggae&comma; americano também&comma; é muita gente&period; É nossa música&comma; o reggae é um lamento&comma; é um bom lamento&comma; é uma beleza de lamento&comma; você podes crê&period; Eles cantam pra uma criança&comma; eles cantam pra uma pedra&comma; pra uma árvore&comma; pra Jah&comma; eles cantam pra Babilônia&period; &lpar;Sapo&comma; São Luis&comma; mar&period; 2006&rpar;&period;&&num;8221&semi;<&sol;em><&sol;p>&NewLine;<p>Esse depoimento está na tese de Maristane de Sousa Rosa que você encontra aqui na <a href&equals;"http&colon;&sol;&sol;tede2&period;pucgoias&period;edu&period;br&colon;8080&sol;bitstream&sol;tede&sol;3427&sol;2&sol;MARISTANE&percnt;20DE&percnt;20SOUSA&percnt;20ROSA&period;pdf">PUC<&sol;a> e é interessantíssima&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Ele traz um pouco de várias coisas que envolvem o reggae maranhense como o sentimento que &&num;8220&semi;toca o corpo&&num;8221&semi;&comma; a identificação pelos sinais&comma; gestual&comma; pelo tipo físico&comma; pontos que independem da compreensão total das canções para que arrebatem as pessoas&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Também demonstra como o reggae foi adotado como um momento de lazer disponível para uma camada da população que está à margem e que não consegue ultrapassar tetos invisíveis que as mantém lá embaixo&comma; sem direito à estes prazeres&period; É pra todo mundo&comma; é um abraço&comma; é algo que forma uma verdadeira nação independente de mapas&comma; onde todos os regueiros são &&num;8220&semi;reis&&num;8221&semi;&period; Eu adoro esse conceito de nação cultural&comma; que transcende distâncias&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">É curioso como essa simbologia era compreendida instintivamente&comma; como os maranhenses conseguiam captar pela entonação&comma; postura e coreografia que as músicas eram&comma; por exemplo&comma; sobre violência&comma; apartheid&comma; amor&period; Não é fantástico pensar como isso é importante para decolonizar&comma; para fortalecimento étnico&quest;<&sol;p>&NewLine;<p>Veja esse outro depoimento da mesma tese da Maristela&colon;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;"><em>&&num;8220&semi;A primeira vez que fui no reggae conheci Guiu Jamaica&comma; lá pra 1973&comma; 1974&period; <strong>O reggae é um lazer barato&period;<&sol;strong> Tem um bar de um babaca&comma; que na hora que a gente chega na porta ele vai dizendo&colon; &&num;8211&semi; Aqui não toca reggae não&period;<strong> Às vezes a gente quer ouvir outra coisa&comma; mas esse babaca faz assim&comma; só porque tem uma cor dessas &lpar;verde&comma; vermelho&comma; amarelo&rpar;<&sol;strong>&period; <strong>Eles têm raiva porque o reggae não tem nenhuma ligação com os portugueses&comma; com os franceses<&sol;strong>&comma; como é o bumba meu-boi&period; &lpar;Saci&comma; São Luis&comma; fev&period; 2006&rpar;&period; &&num;8220&semi;<&sol;em><&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Num país com tamanha desigualdade social&comma; o lazer&comma; a música&comma; a cultura são catalizadores para o pertencimento&comma; a formação de comunidade&comma; o orgulho&period; Temos que lembrar sempre disso&comma; que nem tudo é uma luta claramente politizada&comma; pois revoluções culturais também são batalhas coletivas&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Não saia da cidade apenas definindo se você gosta ou não de reggae&period; Tá longe de ser só isso&excl;<&sol;p>&NewLine;<div id&equals;"attachment&lowbar;13120" style&equals;"width&colon; 778px" class&equals;"wp-caption aligncenter"><a href&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;IMG&lowbar;6670-scaled&period;jpg"><img aria-describedby&equals;"caption-attachment-13120" class&equals;"size-large wp-image-13120" src&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;IMG&lowbar;6670-768x1024&period;jpg" alt&equals;"Ijahman&colon; autor do hino do reggae maranhense&period; Tem que conhecer&excl;" width&equals;"768" height&equals;"1024" &sol;><&sol;a><p id&equals;"caption-attachment-13120" class&equals;"wp-caption-text">Ijahman&colon; autor do hino do reggae maranhense&period; Tem que conhecer&excl; Para sair dançando reggae no Maranhão&period;<&sol;p><&sol;div>&NewLine;<h2>Dançando Reggae no Maranhão<&sol;h2>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Vou fazer um parênteses aqui para contar um causo meu&period; Na década de 70&comma; quando o reggae começou a ficar conhecido&comma; Fauzi Beydon tinha um famoso programa de rádio em São Luis que foi popularizando o ritmo&period; Mais tarde ele montou a banda Tribo de Jah&comma; que é ativa até hoje&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Nos idos dos anos 90&comma; na minha primeira viagem sozinha com uma amiga &lpar;<span style&equals;"color&colon; &num;ff0000&semi;"><strong><a style&equals;"color&colon; &num;ff0000&semi;" href&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;viagem-sozinha&sol;" target&equals;"&lowbar;blank" rel&equals;"noopener">sobre a qual já contei aqui<&sol;a>&comma;<&sol;strong><&sol;span> aproveita para se inspirar&rpar;&comma; nós conhecemos o Fauzi numa barraca de praia em Itacaré&period; Ele já era bem conhecido Brasil afora&comma; mas eu era meio desligadona e não fazia ideia de quem era&comma; até porque não tinha internet e celular né&comma; gente&quest; Era lá pela época da Pangeia isso ai&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Bom&comma; resumindo a história&comma; as poucas pessoas que estavam na praia sentaram juntas para almoçar&comma; inclusive o Fauzi&comma; que se apresentou e foi super simpático&period; Ele nos deu um CD da Tribo de Jah &lpar;o 2000 anos ao vivo&rpar;&comma; que minha amiga deixou comigo e eu escutei à exaustão depois&comma; abismada em como aqueles meninos que se conheceram na Escola de Cegos do Maranhão conseguiam tocar daquele jeito&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Nos anos seguintes fui à alguns  shows deles&comma; a maioria em Ubatuba naquelas noites mágicas que a gente passava no Red Beach &lpar;quem viveu&comma; sabe&rpar;&period; Nunca procurei o Fauzi nesses shows&comma; obviamente ele não deve ter nem o menor pingo de lembrança que me deu um CD numa tarde em Itacaré e me fez virar fã&period; Rá-Rá&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Bem&comma; o tempo passou e eu me desliguei um pouco da onda regueira&period; Não ouvia Tribo de Jah há anos&comma; até pisar em São Luis no fim de 2022&period; E só então entendi o significado de algumas estrofes e letras que cantei muuuito por ai afora&comma; como essa de &&num;8220&semi;Nação Regueira&&num;8221&semi;&colon;<&sol;p>&NewLine;<div class&equals;"ujudUb">&&num;8220&semi;<em>Ninguém jamais parou para pensar<&sol;em><br aria-hidden&equals;"true" &sol;><em>Na sua condição de cidadãos com direitos<&sol;em><br aria-hidden&equals;"true" &sol;><em>Lutando em condições desiguais<&sol;em><br aria-hidden&equals;"true" &sol;><em>Lutando contra preconceitos&comma; diferenças sociais<&sol;em><&sol;div>&NewLine;<div class&equals;"ujudUb"><em>Só que no fim de semana o reggae é a lei<&sol;em><br aria-hidden&equals;"true" &sol;><em>Dançando um reggae na Ilha do Amor&comma; São Luís do Maranhão<&sol;em><br aria-hidden&equals;"true" &sol;><em>Todo regueiro é um rei<&sol;em>&&num;8220&semi;<&sol;div>&NewLine;<div><&sol;div>&NewLine;<p>Ou essa de &&num;8220&semi;Não Basta Ser Rasta&&num;8221&semi;&colon;<&sol;p>&NewLine;<p>&&num;8220&semi;<em>A Tribo roda a Jamaica<&sol;em><br aria-hidden&equals;"true" &sol;><em>E cruza a linha em toda a sua extensão<&sol;em><br aria-hidden&equals;"true" &sol;><em>Muitas pedras na bagagem<&sol;em><br aria-hidden&equals;"true" &sol;><em>Segue viagem pro Maranhão<&sol;em>&&num;8221&semi;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">É que na época eu não me preocupei muito &lpar;nada&rpar; em entender as músicas&comma; era só sentir&period; Porque reggae é isso&comma; uma coisa que te leva&comma; que dá uma sensação boa&comma; que &&num;8220&semi;toca o corpo&&num;8221&semi;&period; Meio alienadinha&comma; eu sei&comma; mas lembra gente&comma; não era só &&num;8220&semi;dar um google&&num;8221&semi;&comma; era complexo alcançar a informação que hoje acessamos com 2 cliques&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Nunca sequer parei para pensar no significado de &&num;8220&semi;<em>muitas pedras na bagagem<&sol;em>&&num;8220&semi;&period; Vocês tinham que ver minha cara de choque quando entendi&excl;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Um das expressões que aprendi no Museu do Reggae foi &&num;8220&semi;bota o capacete que lá vem pedrada&excl;&&num;8221&semi; que é usada por DJ&&num;8217&semi;s para preparar o público para uma música boa que ele vai tocar em seguida&period; É que um bom reggae é chamado de &&num;8220&semi;pedrada&&num;8221&semi;&comma; vinda de &&num;8220&semi;pedra preciosa&&num;8221&semi;&period;  E assim&comma; de repente&&num;8230&semi; vi as &&num;8220&semi;pedras&&num;8221&semi; na bagagem vindas da Jamaica pro Maranhão&excl;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Achei um barato e pensei que entender melhor o movimento do reggae maranhense foi uma &&num;8220&semi;pedrada&&num;8221&semi; na minha cabeça&period; É bom demais conhecer nossa cultura&excl; E foi muito bom mergulhar nessas lembranças de quando éramos xóvens e entender que tudo também fazia sentido em mim&comma; mesmo quando eu não entendia&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Depois de se inteirar sobre as expressões regueiras&comma; feche o dia num Reggae Roots&comma; uma das noites de puro reggae que acontecem em alguns bares&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">O mais famoso entre os turistas é o Bar do Nelson&comma; que fica na Av&period; Litorânea&comma; na praia do Calhau&period; O Uber que me deixou lá também era músico e me disse que o Bar do Nelson é igual um bar de reggae em SP e que não era a opção mais autêntica&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">O que ele queria dizer é que no Bar do Nelson não tem paredão &lpar;você vai ter que ir no Museu do Reggae para entender melhor o que são as enormes caixas de som chamados de radiolas&rpar;&comma; mas que apesar disso as bandas e DJs que tocam lá são excelentes e fazem a fama do bar&comma; que tem 28 anos de história&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Isso pode até afetar a experiência&comma; que não chega a ser aquela dos primeiros clubes de reggae de São Luis&comma; mas acredite&comma; para nós reles mortais que não temos sangue maranhense&comma; a noite ali é uma baita viagem&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">As Reggae Roots do bar do Nelson acontecem às quintas e sábados e basta entrar no enorme galpão para mergulhar nas diferenças culturais desse continente chamado Brasil&period; Tem gente nova&comma; gente velha&comma; salto alto&comma; chinelo&comma; casais&comma; solteiros&comma; São Luis inteira parece caber ali&comma; todo mundo cantando as músicas que a gente nem nunca ouviu na vida e convivendo na maior paz&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Ah&comma; e em 2023 uma garrafa de cerveja custava inacreditáveis dez reais&excl; Claro&comma; os preços mudam&comma; mas fica aqui o registro de que o Bar do Nelson é barato&comma; ainda que esteja numa das localizações mais badaladas de São Luis&period;<&sol;p>&NewLine;<div id&equals;"attachment&lowbar;13119" style&equals;"width&colon; 654px" class&equals;"wp-caption aligncenter"><a href&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;IMG&lowbar;8393&period;jpg"><img aria-describedby&equals;"caption-attachment-13119" class&equals;" wp-image-13119" src&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;IMG&lowbar;8393-733x1024&period;jpg" alt&equals;"Dançando reggae no Maranhão" width&equals;"644" height&equals;"900" &sol;><&sol;a><p id&equals;"caption-attachment-13119" class&equals;"wp-caption-text">Amo Bob Maarley no Bar do Nelson conferindo a galera dançando reggae no Maranhão coladinha&period; Acho que ele aprova&period;<&sol;p><&sol;div>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Para quem se hospeda no centro&comma; o Hapeas Copos&comma; na escadaria que vai da Rua do Giz à Rua de Palma&comma; do ladinho da Praça Nauro Machado e da pousada Portas da Amazônia&comma; tem noite do reggae na sexta&period; Aqui igualmente conte com preços que fazem a gente sorrir&period; Eles abrem de quarta a domingo com Tambor de Crioula&comma; Samba e outros ritmos variados&comma; mas sempre com um reggae no meio&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Existem outros lugares&comma; lá no museu do reggae tem até uma lista deles&comma; vai de você querer sair explorando ainda mais&excl; E sempre tem shows de Célia Sampaio&comma; CabeSativa&comma; Tribo de Jah&comma; é só dar uma fuçada nas redes sociais deles para saber onde encontrar algo legal para a noite regueira&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Não deixe de conhecer pelo menos um reggaezinho&period; Para quem tem na cabeça aquela imagem de Bob Marley pulando de uma perna pra outra e chacoalhando os dreads&comma; é um choque ver os casais dançando coladíssimos&comma; num bailado que lembra um forró&comma; mas sem as firulas&period; Aliás&comma; o reggae maranhense pouco dependeu da figura de Marley e tem vários outros expoentes menos conhecidos da geral&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">O choque passa depois de uns 10 minutos&comma; quando a gente fica com uma sensação de calor no coração ao ver que o maranhense conseguiu transformar um ritmo que fala tanto de amor e integração numa dança ao mesmo sensual e de união&period; Delícia demais&excl;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">Tem quem critique o &&num;8220&semi;reggae turístico&&num;8221&semi;&comma; mas eu acho que independentemente do quão autêntico é esse contato que nós que visitamos a cidade temos com o reggae maranhense&comma; é o mínimo que podemos fazer para entender um aspecto tão forte da cultura dessa parte do Brasil&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">E ao invés de apenas dar um check nessa &&num;8220&semi;atração turística&&num;8221&semi;&comma; aproveita esse contato para abrir sua cabeça&comma; para pensar &lpar;to te ajudando com direções aqui nesse post&rpar;&comma; para buscar um significado que está mais ao fundo e que vai te levar à outra compreensão bem mais humana do que a redução à um &&num;8220&semi;gosto musical&&num;8221&semi;&period;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; justify&semi;">É por essas e por outras que São Luis me conquistou e já me chama para uma terceira visita&colon; tudo lá é cultura&comma; é música&comma; é festa&comma; é gente sorrindo e dançando&period; Tem como não amar&quest;<&sol;p>&NewLine;<p style&equals;"text-align&colon; center&semi;"><em><strong>Curtiu esse post&quest; Então compartilhe&excl;<&sol;strong><&sol;em><&sol;p>&NewLine;<p><a href&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;modern-blue-summer-Pinterest-Pin-1000-×-1500-3&period;jpg"><img class&equals;"aligncenter wp-image-13125" src&equals;"https&colon;&sol;&sol;expressinha&period;com&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2023&sol;04&sol;modern-blue-summer-Pinterest-Pin-1000-×-1500-3-683x1024&period;jpg" alt&equals;"Museu do Reggae em São Luis do Maranhão conta a história do reggae maranhense&period;" width&equals;"601" height&equals;"901" &sol;><&sol;a><&sol;p>&NewLine;

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