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Osaka – Onde comer e beber

Procurar onde comer e beber em Osaka não deve ser uma tarefa feita com displicência, já que a cidade é praticamente a Sin City Japonesa!

Dizem que o povo vai para Kyoto atrás das gueixas, que vai para Tóquio atrás dos cafés esquisitos e das crossdress peoples, mas gente, se é para pecar que seja em Osaka, regado a carne e cerveja, como mandam as escrituras!

Assim que chegar em Osaka, voêe já vai sentir o clima mudar com relação ao resto do Japão. As pessoas são mais falantes, mais relaxadas, mais risonhas (ainda mais no bar). O metrô é barulhento, as ruas são apertadas, as bicicletas são bagunçadas. É amor à primeira vista.

Espírito perfeito para a cena da cerveja artesanal que está bombando e foi o que nos levou à Osaka. Então, munidos de algumas poucas informações, saímos para explorar.

Um brinde à cerveja artesanal de Osaka!

4 Bares em Osaka para conhecer as cervejas artesanais do Japão

De bar em bar – Noite 1

Pegamos o metrô e descemos na estação Tenma para irmos até o Belly Beer Bar, o representante da Minoh Cervejaria. Mas antes de entrar no mérito das cervejas, precisamos falar sobre Tenma.

No Japão existem umas ruas muito das apertadinhas repletas de botecos e minúsculos (ás vezes não tão pequenos assim) restaurantes, que são chamadas de Yokochos e que eu e o Gabriel apelidamos carinhosamente de “quebradas”. Porque pode ter esse nome bonito em japonês, mas parece ruela de cena de filme de tiroteio e luta até a morte. Lugares onde evitaríamos passar se fosse no Brasil, mas onde você não apenas vai entrar, mas provavelmente vai querer passar muito, mas muito do seu tempo. O Alexandre, do Viver a Viagem já explicou aqui super bem o que é um Yokocho, mas Tenma é mais do que uma viela, é mais do que um cantinho escondido, é um bairro inteiro que é um Yokocho!!!

A gente andava, andava, andava e as portinhas não tinham fim. É cerveja, é sakê, é caranguejo vivo, é lagosta batendo tentáculo, é churrasco fritando, é luzinha baixa amarela, portinhas fechadas com cortininha na porta, é parede de plástico, é o paraíso dos pecadores da gula! Em alguns momentos, paranoicos paulistanos, ficávamos meio tensos quando uns japoneses mais esquisitos nos encaravam, mas acho que era apenas uma tentativa de foco pós bebedeira, porque o povo bebe, viu? Happy Hour é coisa séria em Osaka! Veja esse vídeozinho aqui só para ter uma ideia de como é andar por ali.

A gente quase se perdeu na rota do bar, mas foi apenas pelo mau caminho mesmo…

Chegando lá, nos deparamos com um lugar mega lindinho, com um balcão grande onde todo mundo já tinha experimentado todos os tipos da cerveja da Minoh e, claro, não podíamos ficar para trás, então seguimos bebemorando com o caderninho explicativo de cada tipo à mão (em japonês, mas depois de uns copos, você pode inventar sua própria descrição…).

Tomamos até a Real Ale, um tipo de cerveja que eu nunca tinha ouvido falar e o Gabriel me explicou que é um tipo de ale de característica inglesa feita num processo mais natural, com ingredientes puros e menos carbonatação. Eu achei meio sem gás, honestamente, mas não tenho condições de opinar muito sobre isso. Só posso dizer que gostei médio.

Real Ale da Minoh Cervejaria de Osaka.

Caderninho explicativo do Belly Beer sobre as cervejas da Minoh Cervejaria.

Vários petiscos são servidos para acompanhar. São porções meio pequenas e não tão baratas, como em todos os bares, mas tudo fazia nossos olhos brilharem, das costelinhas ao sashimi. Delícia!

A história da Minoh é a mais louca: 2 irmãs ganharam a cervejaria do pai (que tinha antes uma destilaria) e transformaram num estrondoso sucesso. O pai delas, o Senhor Masaji, é até reverenciado como um “guru” das cervejas artesanais, com fotinho dele em vários bares, mega engraçado. Salve Senhor Masaji!

Sr. Masaji, guru japonês da cerveja artesanal! Acende a sua vela pra ele!

Depois de provarmos todas as cervejas disponíveis, resolvemos nos perder de novo por Tenma e, depois de uma caminhada muito louca, fomos parar no Marcieiro.

Pensa em amor. Foi assim com esse bar. Amor fulminante, se isso existe.

O bar na verdade é um espaço totalmente minúsculo, mas minúsculo mesmo. Deve caber umas 10 pessoas no máximo. Para quê mais, se nesse espacinho cabem as melhores cervejas artesanais do Japão? Para quê mais, se nesse espacinho os clientes rapidamente ficam amigos, a conversa rola solta com o dono do bar, a gente ganha um mapa de bares que vendem cerveja artesanal na cidade (juro, é coisa de amor!) e come o melhor petisco de todos? A gente até anotou a receita para tentar repetir o sashimi de polvo com abacate e tomate, veja só quanto carinho.

Petisco de polvo com tomate e abacate do Macieiro. Uma coisa dos deuses!

Detalhe é que o cardápio é todo em japonês, mas o dono veio nos ajudar a explicar o que eram os petiscos para conseguirmos pedir algo e depois ajudamos uns outros gringos, porque quando a gente ama a gente ajuda, né?

Foi aqui que experimentamos as melhores cervejas. A Belgium White da Outsider, uma cervejaria de Yamanashi, foi eleita por nós a campeã de todos os tempos (e dá para visitar a cervejaria se você também visitar o Lago Kawaguchiko para ver o Monte Fuji. São algumas estações de diferença, mas acho que vale um esforcinho). Também tomamos uma IPA Ginga Kogen e uma Oyster Stout da Iwatekura. Todas japonesas e ótimas. Aliás, tudo que tem lá é simplesmente bom.

Ai ai ai que já bateu saudades.

Terminamos a noite aqui.

De bar em bar – Noite 2

No dia seguinte, munidos do nosso novo mapa idílico, resolvemos conhecer outros 2 bares. Primeiro, paramos no Garage 39. O bar é bem legal, mais espaçoso, com várias mesas coletivas para você interagir com a galera e é muito frequentado por gringos que não são necessariamente turistas, mas também expatriados. Sente no balcão e se admire com a habilidade japonesa em preparar pratos deliciosos, frituras e churrascos com uma organização espetacular num espaço em que eu provavelmente não conseguiria abrir nem uma lata de molho de tomate.

A fachada moderninha do Garage 39, bar de cervejas artesanais em Osaka.
(E os garçons são todos moderninhos também, viu?)

Nosso coração já estava rendido ao Macieiro e aqui não achamos a variedade de cervejas tão boa, mas vale a visita sim. Eu aproveitei e pedi um set, um pouquinho de cada não mata ninguém!

No set veio uma stout da Isekadoya, uma Belgian White da Yo-Ho e uma lager da Hideji. O Ga ainda provou a IPA e a American Pale Ale da Yo-Ho.

Set do Bar Garage 39, em Osaka.

Balcão do Bar Garage 39, em Osaka.

De lá fomos até o Yellow Ape Craft. Outro lugar com proporções tão pequenas que até fiquei feliz de ser baixinha. Na verdade, é um bar de 2 andares. No de cima tem umas 4 mesas e no de baixo um balcão com uns bancos meio incômodos, mas com vista para as torneiras de cerveja e para a cozinha, de onde saem outras delícias. Tomamos uma sazonal da Shikagogen bem esquisita, uma Lager da Fujizakurakogen e uma Ale da Unitoren com um queijo apimentado muito bom.

Coloquei os nomes todos das cervejas porque tirando a Minoh e a Outsider, nunca tinha ouvido falar de nenhuma das outras e imagino que muita gente também não. Mas se você encontrar ai no mercado, também pode comprar e ser feliz!

Olha o tamaninho do Yellow Ape Craft, bar em Osaka.

Taps do Yellow Ape Craft em Osaka

O Japão, como você já deve saber, é um país bem carinho. A cerveja artesanal, que não é barata em nenhum lugar, aqui também não é, viu? Entre 4 e 12 dólares o pint. E assim, tivemos que parar a peregrinação aos bares, pois o pecado já estava cometido, mas não podíamos continuar a gastança sem consequências futuras na nossa viagem, que é longa e precisa andar dentro do orçamento. Os bares visitados eram próximos uns dos outros e não precisamos nos deslocar tanto o que nos ajudou a economizar com transporte.

Nem por isso você precisa parar, porque com meu mapa na mão, te digo as outras regiões que tem bares para você conhecer e contar para nós (no fim do post)!

Onde comer a famosa carne Matsubara em Osaka

Como se vê, Osaka foi mesmo a cidade do esbanjamento, onde gastamos sem medo de sermos felizes e sem arrependimentos, ainda que tenhamos saído do esquema mochileiro habitual dessa nossa longa viagem.

Então, para completar, porque não torrar mais do cofrinho em um churrasco de carne Matsubara? Essa carne é considerada uma das melhores do Japão, assim como a do Kobe Beef e algumas outras, das demais regiões do país.

O Wagyu (boi em japonês) da região de Matsubara é um tipo de boi japonês cuja carne é tratada com muito, mas muito carinho. Dizem que as vacas são virgens, que só bebem leite e são massageadas. Sei lá, sei que a carne fica toda marmorizada, que é quando a gordura permeia a carne e deixa ela muito macia, saborosa e, claro, gordurosa.

Fomos por indicação ao Matsuzakagyu Yakiniku, em Dotonburi. Quando chegamos, estava fechado e entramos no restaurante ao lado que nem tinha carne, altas confusões e uma pitada de frustração, pois não teríamos mais tempo na cidade para voltar. E eis que estamos perambulando procurando outro lugar para comer e achamos outra unidade deles! Não sei se foi ajuda do anjinho ou do diabinho…

Nós na salinha de churrasco particular em Osaka!

Churrasqueira, arroz com alho e hashis para comer carne!!!

Pedimos o set para 2 pessoas, que custou 150 USD com acompanhamentos e bebidas. Sim, amigos, depois daqui ficamos contando moedinhas e dividindo ramen pelo resto da viagem, mas se você está na sin city, tem que se jogar.

E digo mais, foi o melhor custo-benefício possível. Todos os restaurantes trabalham com sets, que são alguns pedaços de carne para você fazer o churrasco na sua mesa, ou com os beefs. Em todos os casos não custam menos de USD 70 por pessoa, em geral ficam em torno de USD 100 e vem com tipo 200g de carne. Aqui, embora os pedaços de carne sejam finíssimos, porque o corte da carne é assim mesmo, vieram vááários pedaços. Vem uma mocinha muito simpática explicar como usar a churrasqueira, que é só para você numa salinha fechada, e qual a diferença entre as carnes. Super útil, assim fomos experimentando por ordem de “marmoreamento”(??!!) deixando a delícia máster para o final.

Set de carnes Matsubara!

Foi muuuuito bom. Pedimos um arroz com alho, que é especialidade da casa e nem sei se gostei mais da carne ou do arroz. Ta, foi da carne, mas o arroz era muito bom mesmo. Comemos super bem e ficamos muito satisfeitos. Uma única e valiosa dica é para chegar cedo, porque no almoço eles fecham às 14hs e são pontuais. Se você, como nós, chegar depois das 13hs, vai ter que se apressar para terminar, embora eles tenham sido bem simpáticos em avisar logo que entramos que não poderíamos nos alongar tanto. Considere no mínimo 1h para cozinhar e comer tudo, de preferência 1h30 ou 2hs se ainda for de drinks e sobremesa. À noite dizem que é necessário fazer reserva.

Saímos com medo de ficarmos pesadões ou passarmos meio mal, porque a quantidade de gordura ingerida depois de muitos dias de comida japonesa bem mais light foi pesada, mas nada. Necas de biribitbas. Ficamos ótimos porque acho que quando você comete todos os exageros que a cidade pede, fica tudo perdoado.

A hora da Larica!

Se os petiscos dos bares não te satisfizerem ou não sobrar nenhum tutu para o churrasco e a larica apertar, sugiro que você conheça outros 2 clássicos da cidade: ramen e okonomiyaki. O ramen é uma sopa de macarrão que em Osaka em geral é servida com finas fatias de carne de porco e ovo cozido. Uma bomba deliciosa, barata e servida muito rapidamente. Recomendo o do Ichiran, que é mesmo bem gostoso.

Já o Okonomiyaki é uma mistura de tudo que tinha na geladeira, frita e misturada com molhos (brincadeira, tem receita, mas são mesmo vários ingredientes). Cada cidade tem um tipo de Okonomyaiki e o do Chitose é muito famoso. Esse é larica mesmo, mas dá aquele calorzinho por dentro, sabe como é?

Night em Osaka

Por fim, Osaka tem uma night agitadíssima. Olhe para cima e vai ver vários prédios com salinhas mal iluminadas e cheios de gente entrando e saindo. São os karaokês. Sempre movimentadíssimos. Não são caros, mais ou menos 100 ienes por 30min, e apesar dos botões serem em japonês dá para se virar e ligar. Pergunte se tem músicas em inglês (ou outra língua, se você quiser tentar). Mesmo que você não goste, karaokê é visita obrigatória no Japão e depois dos 30min que você pegar só para conhecer vai querer ficar mais um pouquinho e depois vai entender porque eles ficam viciados…

Além dos karaokês e do mar de Yokochos e bares, tem várias baladas. A gente não foi porque nossos excessos já tinham sido gastos nas cervejas e porque não curtimos muito mesmo, mas se é seu tipo, vai de cabeça para mais esse lado da Sin City!

E sobreviva!

Provando as cervejas artesanais da Minoh, cervejaria de Osaka.

Kanpai! (dica útil: não é legal falar tim tim quando brindar no Japão, porque lá esse som significa uma outra coisa… na dúvida vá de cheers ou de kanpai, que é a palavra em japonês ;D)

Extra:

Mapa da cerveja artesanal em Osaka – Bares divididos por bairros

Todos os bares listados abaixo servem cerveja artesanal (japonesa e de outras partes do mundo) e ficam no entorno de estações de trem e metrô:

Região de Umeda:: Beer Stand e Craft Beer House Molto!, Craft Beer Base, Craft Beer Base Bud, Ale House, Devin, Hanshin e o Marcieiro, nosso queridinho.

Região de Higobashi-Hommanashi: Beer Belly, Dig Beer Bar.

Região de Yodoyabashi-Hommachi: Yellow Ape Craft e Gragae 39.

Região de Nishinagahori-Shinsaibashi: Marca, Fujiyama, Craft Beer Works Kamikaze.

Região de Fukushima: Arcadian, Beer Bal Dark House, Kopta, Pogo e Molto!.

Região de Temma: Beer Belly, Craft Beer Spot Hathor e o Macieira, um pouco mais afastado, mas ainda dá para ir a pé.

Região de Tonimachi: Harenohi, Lingua World Cafe.

Região de Namba-Nippombashi: Smoke House Ape e Nola.

Região de Taishou: TNT Craft Beer Pub e Lezzet.

Região de Nakamozu: Eni-Bru, The 2nd Vine, Lone Star

Região de Esaka:Hafen e Beer House Hobbit.

Região de Ibaraki: Feelgood Factor e Beer & Music.

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