<p style="text-align: justify;">O clima em Angola costuma ser bem definido: <strong>quente e úmido na primavera/verão, quente e seco no outono/inverno</strong>. Por úmido entenda-se problemas sérios de enchente e lama e por seco entenda-se muita poeira com irritação nos olhos e garganta agravados pelo uso incessante de ar condicionado, mesmo que seja para um trajeto de 5 minutos no carro.</p>
<p style="text-align: justify;">É verdade também que n<strong>o inverno as temperaturas são mais amenas e pode fazer um ventinho frio, em especial à noite</strong>. Em algumas regiões parece que faz mais frio mesmo, como em Huambo, onde estive com o maior casacão que não saiu da mala…</p>
<p style="text-align: justify;">O clima também é quente nos demais aspectos. A população é acolhedora, a noite é animada, todo dia é dia de festa, com muita música e comidas pesadas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A vida pós-guerra está a todo vapor</strong>. Tudo está em construção, demolição ou reconstrução. As estradas, os prédios, a cultura, a educação, a política. Todo mundo tem opinião sobre tudo e todo mundo é acusado em algum momento de ainda ter a mente socialista, de esperar que o governo faça tudo ou de estar tentando destruir a identidade angolana.</p>
<div id="attachment_1793" style="width: 563px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://expressinha.com/wp-content/uploads/2013/03/Expressinha-Angola-Luanda-87.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-1793" class=" wp-image-1793" title="Expressinha Angola Luanda" src="http://expressinha.com/wp-content/uploads/2013/03/Expressinha-Angola-Luanda-87-1024x685.jpg" alt="Expressinha Angola Luanda Marginal" width="553" height="370" /></a><p id="caption-attachment-1793" class="wp-caption-text">Pôr-do-sol com ventinho na deliciosa Marginal de Luanda!</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os expatriados em geral são bem vindos</strong>, mas há certo sentimento de que eles deveriam estar em seus lugares, ou seja&#8230; em seus próprios países. Após 30 anos de guerra é um consenso que falta mão de obra especializada no país e que ainda há muito a ser feito. Angola não tem, apenas para exemplificar, uma bolsa de valores, produção suficiente de alimentos e manufaturados em geral para garantir a demanda interna, entre outras coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, é compreendido que é necessária a presença de expatriados, sendo exigido deles a transmissão de conhecimentos e o treinamento de pessoal. Ao mesmo tempo, sendo absurdo o abismo entre as classes sociais mais altas e as mais baixas e quase inexistente uma classe intermediária, é normal que haja certo ressentimento com a riqueza apresentada por quem vem de fora.</p>
<p style="text-align: justify;">As empresas costumam pagar muito e oferecer dezenas de benefícios para quem vem de fora e muito do progresso que vem se apresentando no país é usufruído quase que somente por estas pessoas. Parece com tempos idos? Nada é mera coincidência.</p>
<p style="text-align: justify;">Fora isso, com a celebração de contratos grandes com as empresas chinesas que podem contratar até 70% dos funcionários de seus próprios contingentes houve uma invasão do país de pessoas que trabalham em regime de abelha operária, sendo ainda poucos os casos de integração. Sente-se não apenas a falta de abertura de novos postos de trabalho para os próprios angolanos, mas uma ocupação alienígena de um povo que não fala português, não convive com os locais e acaba sendo mal visto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Entendo que o sentimento é natural e que somos nós que devemos nos adaptar, nos envolver, criar laços e raízes no país que é deles.</strong> Até porque, a força e a vontade que eles têm de levantar a sua pátria, de exterminar os problemas e de viver melhor é avassaladora e contagiante.</p>
<p style="text-align: justify;">Observei que eles vivem um momento de grande conflito interno, em que percebem que sua cultura ancestral como os dialetos, por exemplo, estão se perdendo, e q<strong>uerem resgatar e manter sua identidade ao mesmo tempo em que acreditam que estão perdendo suas características</strong> pela influência de outras culturas como a portuguesa, sempre presente, a brasileira, e a recente invasão chinesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem está de fora me parece que as coisas não são exatamente assim. <strong>Os traços ancestrais são fortes</strong> e muito mais presentes do que no Brasil onde vimos nas últimas décadas uma onda de valorização do nacional. As mães com seus panos e bebês nas costas, suas cestas nas cabeças e pratos típicos cozinhados e servidos religiosamente toda semana, seu modo de falar e palavras provenientes de suas outras línguas, suas músicas e danças, mesmo quando em contato com a moderna música eletrônica: tudo totalmente único. Não há mais ninguém no mundo que seja totalmente puro e acho que isso não torna ninguém menos especial ou menos ligado à sua cultura. Lá, isso ficou evidente para mim.</p>
<div id="attachment_1795" style="width: 372px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://expressinha.com/wp-content/uploads/2013/03/Expressinha-Angola-Luanda-36.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-1795" class=" wp-image-1795 " title="Expressinha Angola Luanda " src="http://expressinha.com/wp-content/uploads/2013/03/Expressinha-Angola-Luanda-36-685x1024.jpg" alt="Expressinha Angola Luanda Funge" width="362" height="540" /></a><p id="caption-attachment-1795" class="wp-caption-text">Comer funge pelo menos uma vez por semana é de lei! E o preparo dá todo esse trabalhão ai! Tem que bater a massa com força e rapidez até ficar assim.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Sem contar a história. <strong>Rainha Ginga</strong> e sua resistência à <strong>dominação portuguesa, a união e desunião das tribos, a colonização, a independência, a guerra, o socialismo, o meio capitalismo atual</strong>. Tudo ainda pouco documentado, tudo ainda na cabeça das pessoas que com 2 perguntas te contarão com o maior prazer tudo o que sabem sobre qualquer um destes assuntos e te enriquecerão com uma aula natural. Aqui faço um agradecimento especial aos meus colegas de curso Ana Cristina, Celso e Rita, que me ensinaram muito.</p>
<p style="text-align: justify;">Na educação, batalha-se pela melhora do ensino para que as crianças não assistam aulas sentadas em latas de leite e para que o ensino de línguas como o umbundo seja retomado assim que forem encontrados professores. Nosso curso (MBA Atlântico) é mais um investimento na qualificação local para todos os níveis profissionais, o que certamente vai se intensificar ainda mais a partir de agora. É comum, para todos que como eu nem imaginavam, que os angolanos estudem fora do país, muito embora o país já tenha diversas universidades. A UCAN, além disso, possui um forte centro de pesquisas e vem desenvolvendo maravilhosos trabalhos com muita gente empenhada, como o Relatório Econômico e o GEM cujos lançamentos assistimos e que semearam idéias e planos em nossas mentes.</p>
<p style="text-align: justify;">O presidente do país está no poder desde o fim da guerra e, tendo quem goste e quem não goste, não parece que de lá sairá tão cedo. O país tem uma recente e ainda frágil democracia, mas que se apóia no forte crescimento do país dos últimos anos impulsionado pelas riquezas geradas pela explorção do petróleo pela principal empresa do país.</p>
<div id="attachment_1794" style="width: 563px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://expressinha.com/wp-content/uploads/2013/03/Expressinha-Angola-Huambo-5.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-1794" class=" wp-image-1794 " src="http://expressinha.com/wp-content/uploads/2013/03/Expressinha-Angola-Huambo-5-1024x685.jpg" alt="Para os lados de Humabo, nas pedras e bosques, dizem que faz frio! Eu não vi..." width="553" height="370" /></a><p id="caption-attachment-1794" class="wp-caption-text">Para os lados de Humabo, nas pedras e bosques, dizem que faz frio! Eu não vi&#8230;</p></div>
<p style="text-align: justify;">Como em todo lugar, são vários os relatos de corrupção, quase nenhum punido ou mesmo melhor explicado, mas de modo geral a<strong> impressão que se tem é de que o país vem tentando se organizar e manter-se economicamente</strong>, o que vem exigindo medidas mais sérias e transparentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Tomando como exemplo o Brasil, livre e com uma democracia mais adolescente, fica claro que ainda vai demorar para as coisas se acertarem, pois há um período de conscientização e reeducação que demora anos para fazer efeito. Aqui, por exemplo, ainda falta muito trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se vê ainda, por mais que haja algumas tentativas de forçar a barra, indícios de que alguma revolução ou movimento similar ao dos países do norte vá acontecer, em especial pelo esgotamento que os 30 anos de guerra causaram.</p>
<p style="text-align: justify;">É, mas há quem sinta saudades da guerra e não é nada velada.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, se solte e converse para aprender muito!</p>

