Um dia em Nazca – Investigando por terra e ar os mistérios do deserto

Quem já parou para assistir History Channel pelo menos uma vez na vida deve ter visto as incríveis e misteriosas linhas de Nazca.

Aqui em casa elas são bem famosas e na hora de definir nosso roteiro pelo Peru um voozinho sobre elas teve que ser incluído, por mais que eu tenha medo de andar de avião. Ainda mais um que tem quase meu tamanho! E mais, dormimos lá e investigamos por terra com guia local para sabermos de um tudo!

Peru Nasca

A fila de aviõzinhos pronta para decolar!

Peru Nazca

Pira no tamanho da gente perto do avião!

O Vôo pelas Linhas de Nazca

Verdade seja dita, eu quase fui figurante nesse passeio e fiquei em terra esperando, mas juntei toda coragem do mundo numa mochila e entrei no teco teco.

O vôo, meu povo, é assustador. O terror começa quando te pesam na chegada ao aeroporto. Você não entende nada até que o piloto te fala onde sentar e é do lado de um completo estranho, ao invés do seu companheiro de loucuras. Tudo para equilibrar o peso no teco teco, afinal, o vôo vai dando mergulhos laterais e não convém pesar mais de um lado, certo? Ah ta…

Eu, no auge dos meus 1,68 era mais alta que o avião e conseguir sentar no meu lugar foi uma verdadeira arte de malabarismo. Você fica completamente esmagado e com testa colada na sua janelinha, de onde você vê toda a asa e o trem de pouso. Sim, tenso assim.

Peru Nazca

Nem sempre é fácil enxergar os desenhos, mas eles te dão um mapinha e você vai encontrar!

Eles te dão um mapa dos desenhos que serão avistados, todos sentam na janela e o vôo segue o mapa com mergulhos laterais dos 2 lados do avião sobre cada desenho para que todos possam ver sem ter que se esmagar e/ou enfiar a câmera na cara dos demais passageiros (o que, claro, não é compreendido por todos e você vai ter alguém te esmagando e/ou colocando a câmera na sua cara a cada 2 minutos).

Faz um barulho dos infernos, parece que não vai levantar vôo, depois que vai cair a cada curva, por fim que não vai descer, mas dá tudo certo. Acredite, se eu consegui você também consegue! Acende uma vela, dá uma rezadinha e se joga.

O mais importante que você deve lembrar é que se sentirá num misto de liquidificador, xícara de parque de diversões e barco num mar revolto e vai sair meio bagunçado, meio enjoado ou vomitando. Nessa ordem. Eu que enjoo até em estrada sinuosa, tomei um engov e um omeoprazol antes de ir e saí ilesa! Eu diria até que sai maravilhosa, se comparada aos demais passageiros…

Peru Nazca

Ache o homenzinho!

Como organizar a ida para Nazca e onde dormir

Bom, para fazer esse vôo mágico você pode: comprar o passeio todo com uma agência ou se organizar sozinho. A segunda hipótese foi a minha e optei por dormir lá na noite anterior ao passeio para curtir tudo com tranquilidade, como já contei aqui no roteiro. De Lima à Naza são umas 7hs de viagem. Pesado para um bate-volta.

Reservei o vôo com alguns dias de antecedência pela internet com a Aeronasca, por USD 70,00 por pessoa, pagos lá na hora com mais 25 soles de “taxas do aeroporto”. Todas as empresas custam mais ou menos a mesma coisa e te buscam no hotel. Fechei com eles porque tinham boas referências e foi o vôo mais barato que achei. Outras opções: Aeroparacas, Alasperuanas.

Comprei as passagens de Lima para Nazca da Cruz del Sur pela internet com muita facilidade. Os ônibus são mega ótimos, confortáveis, com filmes, internet, rádio… só a comida é  uó!

Peru Nazca

Nos passeios terrestres você vai ter uma ideia ainda melhor do que são as linhas…

Peru Nazca

As linhas têm muitos kms e é impressionante como são tão retas!

O táxi do aeroporto à estação da Cruz del Sur na Javier Prado (cada empresa de ônibus tem seus terminais e não tem uma rodoviária central) custou 20 soles e o sole estava custando quase o mesmo que o real em 2015. Só que tem que sair um pouco do aeroporto, escapar da guerra dos taxistas e negociar.

Chegamos em Nazca por volta das 23hs e estávamos super cansados. Nem cogitamos sair para comer ou algo assim e a cidade estava numa calmaria sem tamanho.

Ficamos no Ancalla Inn, pertíssimo da Cruz del Sur em Nazca e o táxi custou 5 soles. Dava até para ir a pé, mas tinha tão ninguém na rua que achamos meio esquisito ir andando com mochilão e toda nossa tralha. O hotel é simples, com tudo bem básico, mas tem um bom chuveiro e cabe bem para uma noite. O pessoal do hotel é super simpático e prestativo, nos ajudou a chamar o pessoal do vôo mais cedo e providenciou um passeio terrestre com ótimo motorista particular. Ele quebram todo tipo de galho, buscam na estação se precisar, organizam passeios…adoro!

No nosso dia em Nazca, tomamos um café reforçado e só almoçamos no meio da tarde num frango assado com fritas em frente à estação de ônibus. Foi bom e barato e assim pudemos dispensar a comida estranhíssima do ônibus. Dormimos até Lima. Lá em Lima passamos a noite no Del Prado Hotel, escolhido porque ficava a 5 soles de táxi da estação da Cruz del Sur e 15 soles do aeroporto (se pegar na rua e negociar), para onde partiríamos no dia seguinte cedo. Foi só para passar a noite, mas é um ótimo hotel, recomendo. Mais opções lá embaixo.

Investigando por terra como as linhas nasceram

Há algumas opções de passeios terrestres. Nós optamos pelo passeio “miradouros” que visitava 1 mirante natural onde as linhas se cruzam de forma bem misteriosa e 2 mirantes construídos, um próximo à “mão” e à “aranha” e outro próximo de outros desenhos dos povos anteriores à Nazca e termina com uma visita ao museu  Maria Reiche.

Custou 70 soles para 2 pessoas e nos pegaram no hotel e nos deixaram na estação. O que é legal desse passeio é que você vê as linhas bem de perto, anda nelas, compreende como foram feitas (você pode criar suas próprias teorias, de qualquer jeito), recebe muito mais informações sobre como foram descobertas e mantidas, vê como fizeram uma estrada sobre as linhas, enfim, coisas que não se percebe bem do céu.

Peru Nazca

Ó o ET! Visto assim, de pertinho do mirante terrestre!

O mais interessante na minha opinião foi a visita ao Museu Maria Reiche. Essa senhorinha alemã, de quem eu nunca tinha ouvido falar, foi a “guardiã” das linhas de Nazca e cuidou da sua preservação praticamente sozinha durante anos, já que nem o governo reconhecia a importância histórica da região.

Mais conhecida como “la louca del desierto”, é famosa pelos seus estudos e esforços para manter esse local tão excêntrico. Nosso guia nos contou que a maioria da população local trabalhava nas minas e achava tudo aquilo uma baboseira, inclusive ele, que tem orgulho de dizer que aprendeu a valorizar a riqueza da história local e virou guia! Achei ele doce sem perder a dureza, sabe como é?

Peru Nazca

O Aqueduto visto de cima.

O museu ainda traz um resumo sobre os povos que habitaram o Peru e a América Latina e confesso que também não sabia que existia metade daquela galera! E tem até uma múmia!!!! Mas o que me assombrou foi a simplicidade com que ela viveu pelos seus interesses e sonhos. Danada, essa Maria!

Outras opções levam ao aqueduto (vimos de cima, é impressionante e ainda funciona!) e à pirâmides reconstruídas no deserto, com direito à ride num veículo meio Mad Max!

Em resumo: vale a pena gastar mais tempo em Nazca, isso é fato. Fazer apenas o vôo ou ir e voltar de/para Lima no mesmo dia é muito esforço para pouco coisa e você vai perder as outras coisas bacanas que tem por ali. Sugiro mesmo que você fique pelo menos um dia todo e uma noite!

Outras opções de hotel em Nazca, por ordem crescente de preço: Dunas de NazcaCasa Andina, Cantalloc.

Outras opções de hotel em Lima, por ordem crescente de preço: 151 Backpacker, Del Pilar, Hotel de Autor.

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