Toronto – Estudando inglês em 1 mês

Eu tinha uma vontade louca de estudar inglês fora do Brasil e depois de muita pesquisa, escolhi ir para Toronto. Você também está na pesquisa? Então dá uma olhada no que rola por lá que acho que te ajudo a decidir!

(Dá para você ter mais ideias sobre o Canadá aqui).

Canadá Toronto

T-O-R-O-N-T-O!

Escolhendo Toronto para estudar inglês

Minha escolha foi baseada em 2 coisas: preço mais em conta do que outras opções nos EUA, Europa, Oceania ou mesmo na África do Sul e pela possibilidade de estudar inglês e francês ao mesmo tempo.

Na época eu estava numa pegada forte de estudo tanto de inglês quanto de francês e planejei ir para Montreal e estudar os 2 ao mesmo tempo \O/. Por sorte, eu deliro assim só de vez em quando e como só tinha um mês de férias, conclui que não ia fazer nada direito.

Acabei mudando os planos e escolhi Toronto porque era perto do estado de Quebec e daria para curtir os baragandan do francês nos fins de semana, além de ser mais cosmopolita e urbana e ter várias coisas para fazer.

Claro que existem milhões de outras opções, né? Só no Canadá tem Vancouver, a própria Montreal (conheço quem estudou inglês lá e curtiu) e todo o miolo do país, cheio de cidades menores que são igualmente legais.

Escolhendo a Escola e Hospedagem

As agência de viagens, principalmente as focadas em intercâmbios (CI, EF, STB), te dão todas as opções de escolas, tipos de aula, hospedagem e tudo o mais, então vou focar em outras dicas que acho infinitamente mais úteis.

O Canadá tem várias escolas para estrangeiros e a escolha em geral tem a ver com os horários de aula e preços. No meu caso, escolhi a PLI, porque depois de pesquisar muito concluí que era uma escola que atraía menos brasileiros e eu queria evitar mesmo o português. A escola é ótima, amei tudo, mas tinha MUITO brasileiro. Rá-Rá!

É que eu dei uma delirada aqui também, sabe? Não existe isso, tem muitos brasileiros em todo lugar e tem muitos brasileiros estudando inglês. Tive amigas que foram pros cafundós do Canadá pra fugir dos brasileiros e tchan-tchan, tinha brasileiro lá também. Supera! Já falo mais de como lidar melhor com isso.

As opções de hospedagem costumam ser casa de família – em quarto individual com ou sem banheiro ou em quarto dividido – e apartamento com outros estudantes. Eu optei por ficar em casa de família porque queria interagir mais com a vida local. Pedi um quarto individual com banheiro porque a diferença de preço era pouca. Fiquei num apartamento incrível, super confortável, bem localizado e a Lina, a dona da casa, era muito gentil e gostava de um bom papo. Além de histórias interessantes, ela tinha paciência de ouvir e ia me corrigindo. Me adiantou uns 2 meses de aula! Nos demos super bem.

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O meu quarto na casa da Lina!

Canadá Toronto

Olha que gracinha que era meu quarto!!!

Parece que tive sorte. Tem gente que fica em casas gigantes com vários estudantes e fica meio bagunçado, outros não conseguem conversar com o pessoal da casa, outros não gostam da comida, mas eu particularmente acho que tirando os casos críticos, é tudo uma questão da forma como você encara.

Você vai para outro país, para viver com pessoas que você nunca viu, que comem coisas diferentes da sua. Se misture, aceite as diferenças, divirta-se nos bons e maus momentos e faça MUITO esforço para criar um relacionamento com as pessoas porque é para isso que você foi até lá.

A hospedagem pode ser com 1 (café), 2 (café e jantar) ou 3 refeições. O almoço costuma ser uma marmitinha, porque em geral você vai passar esse tempo na escola. Eu acho besteira pegar o almoço. Minhas aulas, por exemplo, começavam às 11hs da manhã, então na maioria dos dias eu tomava o café tarde, levava umas frutas ou um bolinho para beliscar e só jantava.

Canadá Toronto

Uma casa de estudantes fofa em Toronto.

Peguei o café e jantar e gostei muito da comida da minha casa, super saudável, mas no final quando já tinha meus amigos e queria curtir com eles, jantava fora quase todos os dias. Então, pense bem qual vai ser a forma mais em conta de acordo com o seu estilo. 

No total do curso, hospedagem e passagem gastei algo em torno de USD 3.000 e lá gastei mais uns CAD 1.000. Se você se programar com um pouco de antecedência, divide e vai pagando que fica mais leve. Acho que dá para ser mais econômico no dia-a-dia, mas também viajei bem, comi fora muitas vezes e comprei algumas coisas.

Tempo e tipo de curso

As escolas tem quase sempre a mesma estrutura com aulas todos os dias: um curso standard (4hs dia), um curso semi intensivo (6hs dia) e um intensivo (8hs dia). Para todos, nível básico (1, 2, 3), intermediário (1, 2, 3), avançado (1, 2, 3) e cursos específicos.

O tipo de curso você vai escolher antes, pois tem que pagar na matrícula e obviamente os custos são diferentes.

Realmente não acho que o standard vale a pena. É muito pouco tempo de aula para aprender e você fica com muito tempo livre, o que é meio chato, principalmente no começo, quando você não conhece ninguém.

Eu optei pelo semi intensivo, pois como estava de férias, queria também curtir a cidade. É a opção da maioria das pessoas, mas se eu fosse de novo faria o intensivo. As aulas são bem legais e são 4hs de manhã e 4hs a tarde. Não é tão pesado e você consegue fazer mais uma “matéria”.

Canadá Toronto

O caminho que eu fazia todos os dias para a escola. Coisa linda!

Canadá Toronto

E o mesmo caminho transformado pelo outono!

Canadá Toronto

No meu último dia, Toronto estava assim! =D

Digo isso porque ao chegar lá você vai fazer o teste de nível (uma prova de escuta, conversação e escrita) e a entrevista. Na entrevista eles avaliam se a classificação da prova foi correta e te perguntam o que te interessa mais: aprender a escrever,  a falar,  se preparar para uma prova, etc… (pelo menos na PLI é assim). No meu caso, falei que meu foco era a conversação. Eu queria poder fazer uma piada ou uma ironia com naturalidade, sem perder o timing pensando na estrutura da frase. Eles me colocaram numa aula de gramática – que todo mundo faz, mas que é beeem legal – numa aula de interpretação de texto/conversação e numa aula de improvisação e fonética (para perder o sotaque). Caiu como uma luva para mim, então tudo ficou muito interessante. Se eu tivesse no intensivo, provavelmente faria, além dessas, uma aula de produção de texto.

Além disso, o seu horário de aulas vai depender muito das “matérias” que você pegar, pois algumas são só de manhã e outras só à tarde. Minhas aulas começavam às 11hs e terminavam às 18hs, com 1h de almoço. A princípio achei um saco “perder a manhã”, mas depois curti, porque estava de férias do trabalho e não precisava acordar tão cedo nem bater papo com a Lina (admito um mau humor matinal), pois quando eu levantava ela quase sempre tinha já saído para o trabalho.

E a pergunta que respondo toda hora: um mês é suficiente?

Honestamente??? É pouco. Na verdade é o mínimo que considero útil.

A curva de aprendizado é mais ou menos assim: a primeira semana é uma adaptação, é difícil, você demora um tempo para conseguir entender as pessoas e, claro, as aulas. Porém, no final da segunda semana você deu um boom, porque passou a adaptação e aprendeu muito mais rápido do que nos mil anos de curso de inglês que já fez. Nesse tempo você tem que andar por ai, comer, comprar suas coisas, conversar com os coleguinhas do mundo todo, enfim, você foi forçado a usar inglês o tempo inteiro!!!!!!

Nas 2 semanas seguintes você tem uma consolidação do “módulo” mensal que toda escola tem. E ai, quando você ta se achando o nativo, volta pro Brasil ao invés de ficar lá e realmente virar um cara fluente. Fora isso, as provas de nível são a cada 2 semanas, mas na primeira praticamente ninguém sobe, só se a avaliação estivesse um pouco errada. Na segunda prova, quando você ia dar uma avançada… tchau tchau.

Os professores sugerem que o tempo ideal é entre 2 e 3 meses, dependendo do nível (quanto mais básico você for, mais tempo vai precisar ficar).

Canadá Toronto

Na minha última aula o professor optou por nos levar à orla do lago para aproveitarmos a última brisa quente do outono, já que o inverno chegaria com tudo na semana seguinte! Foi uma delícia ter aula nesse visual!

Se você é um reles mortal que trabalha duro e vai aproveitar suas férias, vá mesmo assim e tire leite de pedra nos seus 30 dias! É claro que vale a pena!!!!! Mas ai dou alguns conselhos (inclusive alguns “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço):

1) Tente emendar um feriado prolongado, uma licença, qualquer coisa que te dê mais tempo nem que seja um dia porque assim você viaja também e não fica tentado a matar aulas pra passear;

2) Pule as paradas. Não perca tempo nos EUA comprando coisas que você não precisa. Vá focado em estudar que vai ser mais produtivo;

3) Tente fazer o curso intensivo porque pode ser mais cansativo, mas seu investimento vai render mais (não sei você, eu odeio rasgar dinheiro);

4) Não faça cursos específicos (para negócios, para médicos ou outros), exceto se você já for avançado. Esses cursos são mais focados em vocabulário, que você pode estudar numa boa aqui no Brasil, mas estrutura gramatical e conversação você vai aprender bem melhor lá;

5) Estude muito antes de ir.

Preparação e Extra Aulas

Explicando melhor o que acabei de falar, se tem uma dica que vale ouro, na minha opinião é essa: estude muito antes de ir.

Claro que você vai aprender muito não importa em que nível esteja, mas quanto menos inglês você souber, mais doloroso vai ser e menos proveitoso vai ser se tiver pouco tempo lá. Na minha escola tinha uma chinesa que chegou falando 2 palavras: hi e please. Dá para imaginar como foram as primeiras semanas dela? Tentei consolá-la uma vez que a encontrei chorando no banheiro, mas tudo o que pude fazer foi abanar a cabeça e sorrir meio assim “vai ficar tudo bem”.

Mas tem outra coisa. Quanto mais básico você for, mais tentador vai ser andar com os brasileiros e ficar falando português, desperdiçando um tempo valioso em que você estaria aprendendo se andasse com outras pessoas.

Canadá Toronto

A Universidade de Toronto é um misto de prédios antigos…

Canadá Toronto

E modernos, como este.

Eu estudava há um bom tempo e fui dar uma turbinada. Foi ótimo, minha conversação melhorou muito, fiquei bem mais confiante e rápida. Mas eu também sou bem nerd e é isso que eu sugiro que você seja. Tente seguir esses passos:

1) Não falte nas aulas e faça todas as atividades. Não desanime se nos primeiros dias você tiver dificuldade de entender até o oi do professor. Se estiver muito fácil é porque a classificação de nível foi errada. Tem que ser desafiador para te obrigar a estudar. Rapidinho você entra no ritmo (e percebe claramente sua evolução).

2) Saia da fase da vergonha o quanto antes. O começo é osso, você percebe seus erros e fica meio tímido, mas todo mundo está na escola porque não sabe inglês direito. Fale o tempo inteiro, mesmo que seja tudo errado. O pessoal te corrige, você corrige os amigos e assim todo mundo vai melhorando. Não precisa exagerar na dose, mas uma dica boa é ir para os barzinhos e happy hours. Beba um pouquinho e solte a língua, é uma maravilha.

3) Fale só com 2 pessoas: Deus e Todo Mundo. Eu pedia informação na rua, conversava nos caixas das lojas, perguntava para vendedor como falava isso, para garçom como falava aquilo, puxava papo na escola, puxava papo em casa, uma matraca. Você ainda conhece um monte de gente bacana.

4) Ligue. Conversar ao telefone é mais difícil que ao vivo, quando você consegue entender algumas coisas pela postura corporal e contexto, mesmo que não entenda as palavras. Eu ligava em casa para avisar que não ia jantar ou que ia chegar mais tarde, ligava na rodoviária para pedir informações sobre os ônibus, ligava para os amigos da escola para marcar alguma coisa….

5) Não ligue muito para o Brasil. Cara, hoje com a tecnologia é fácil e barato falar com o Brasil, mas você está imerso em inglês e é assim que quer ficar, certo? Eu mesma ligava pelo Skype e quando via tinha ficado mais de uma hora falando e assim perdia o ritmo de tentar pensar em inglês.

6) Evite fazer panelinhas com os brasileiros e se for impossível evitar a convivência, combine de só falar inglês entre si. No nível básico tem maior concentração de nacionalidade, entre brasileiros e asiáticos. Eu peguei um nível muito avançado, então as minhas classes tinham alunos (diferentes em cada uma) de vários países, o que era ótimo. Mas também tinha alguns brasileiros. O legal é que todos estavam muito focados. A gente combinava de falar inglês e respeitava, até porque os outros alunos ficavam incomodados se ficavam boiando na conversa em outra língua (pensa em alguma vez que fizeram isso com você, como é chato). Fora das aulas havia muita interação entre os alunos da escola e claro que nem todos os brasileiros conseguiam falar inglês o tempo todo, mas nesse caso eu pelo menos tentei ser fiel aos meus objetivos e evitava ficar muito com eles.

7) Extras: Algumas pessoas aproveitavam o tempo em Toronto para estudar outras coisas. Por exemplo, minha amiga Denise assistia aulas na Rotman School sobre Design Thinking e estava tão animada que até eu comecei a estudar o tema. Um outro colega assistia uma aula na faculdade de arquitetura da Universidade de Toronto e uma outra teve aulas de bakery numa doceria. Veja, são outros projetos pessoais e nenhuma dessas pessoas pagou esses cursos ou pegou certificados, mas conhecimento é poder e eles buscaram mais.

Por fim, tenho que contar que uma coisa difícil de lidar são as amizades. As pessoas chegam e partem em tempos diferentes, então você faz muito esforço para conhecer pessoas e, de repente elas já foram e já chegaram outras, que agora se esforçam para conhecer você, que já está indo embora. Quem fica mais tempo sofre mais, porque esse ciclo é infinito.

Canadá Toronto

Por dentro, mesmo nos prédios antigos, a universidade pulsa!

Canadá Toronto

As paredes da Universidade!

Canadá Toronto

Eu, de rolê pela Universidade de Toronto.

Eu não sou dessas pessoas que chegam e em 3 horas tem uma roda de amigos e 10 programas marcados. Tive meu tempo, mas conheci um monte de gente, saia com a galera e fiz alguns amigos com quem mantenho contato até hoje, uma delícia. Por outro lado, eu também fico super bem fazendo coisas comigo mesma. Eu sai muito sozinha, ia à museus, parques, saia para fotografar, para tomar café ouvindo música e vendo as pessoas passarem e fiz todas as minhas viagens sozinhas.

Como disse lá no começo, fui a Montreal e Quebec curtir o “francês” e também para Niagara Falls. Ao invés de comprar o pacote de um fim de semana para tudo isso ou para Montreal/Quebec/Ottawa que as escolas oferecem, fui em cada fim de semana para uma cidade e curti MUITO. Não tenha medo, vai com tudo!

Nos próximos posts conto como fazer essas viagens independentes e aproveitar as muitas coisas legais de Toronto!

Se tiver dúvidas, manda aqui que eu tento ajudar. =D

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6 Resultados

  1. Bruna Barbosa disse:

    Oi Rayza! Que delícia que vc ta se preparando para essa vivência, vai ser lindo!
    Olha só, eu acho que a homestay só recebe por meio da agência de intercâmbio ou da escola, mas vou procurar o email dela aqui e se encontrar te mando por email, porque só tenho o facebook, mas ela não vê com muita frequência. Se eu não achar, te mando o nome dela e vc tenta ver com a sua agência se consegue ficar com ela, ok?
    Eu tinha um banheiro privativo, sim. Ela mora sozinha e tem uma suíte, então o banheiro da “área comum” ficava só para o meu uso e era do lado do meu quarto, bem de boa.
    Se não der certo de ficar lá, vá sem medo, tem muita gente legal em Toronto recebendo estudantes. A maioria das pessoas tem ótimas experiências e em último caso vc pode pedir para trocar de casa sem grandes dramas. Lembre-se de que até as experiências meio ruins depois viram histórias e risadas!!!!
    Um beijo,
    Bruna

  2. RAYZA TRINDADE SILVA disse:

    Oi, Adorei seu texto e vi que estou fazendo as opções certas. Vc tem com o contato da sua homestay???? Ou site onde encontro ela? Tenho muito medo de não ter a sua sorte de ficar com uma pessoa legal e que cozinhe bem? O banheiro era só pra vc?

  3. Bruna Barbosa disse:

    huahauah
    Tem tempo!

  4. Denise Escada disse:

    Show! Me deu vontade de largar tudo o que ainda não tenho aqui e voltar pra estudar mais inglês! O meu terror nesta vida! hahahha

  5. Bruna Barbosa disse:

    Deu a maior saudade, né Andreza???

  6. Andreza Mainardi disse:

    Aiii Bruna, tão verdadeiro e inspirador esse teu texto, retratou exatamente o que vivemos!!

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