Navegando no Titicaca – 2 dias em Puno

Depois da ida de Cusco à Puno de ônibus pela Rota do Sol, apenas tomamos banho, jantamos no fofo Café del Corrigidor e fomos dormir. A diferença da altitude era grande e impossível de não sentir.

Já tínhamos um passeio pelo Titicaca marcado para às 7hs da matina seguinte, portanto acordamos umas 6hs da manhã para o café e check out. Já contei onde ficamos, comemos e até tomamos uns drinks, aqui.

Eu acordei zuada e quase pedi um tiquinho de oxigênio, mas depois de 3 xícaras de chá de coca que de tantas folhas eu nem via o fim da caneca, me recuperei. Tentei comer bem no café, porque era ótimo e porque não sabia o que me aguardava em termos de refeição durante o dia. Só voltaríamos à Puno às 18hs. Não consigo evitar a desconfiança de almoços em que eu não posso escolher o local. Ainda que às vezes eu erre quando escolha.

Peru Titicaca Puno

As entradas de Taquille

Às 7hs em ponto nos buscaram no hotel e nos deixaram no barco. Muito maior do que eu esperava, tinha uns 20 passageiros, bancos confortáveis e área totalmente fechada. Sim, estava um dia lindo de sol, sem uma nuvem no céu, mas ainda assim, o frio no lago era cortante.

Uros – Isla del Sol

Navegamos por mais ou menos 4o minutos até chegarmos à primeira parada, a Isla del Sol, uma das muitas ilhas flutuantes do Titicaca, as ilhas de Uros.

É um lugar suuuuper turístico. Na verdade nem sei se as pessoas moravam mesmo ali ou se chegavam cedo e faziam a encenação, mas ainda assim achei bem impressionante. Mesmo que as pessoas não vivam mais ali, nessas horas a sede de conhecimento é maior que as críticas e toca na minha cabeça aquela música da Orquestra Contemporânea de Olinda:

“Quero saber/Quero Saber, quero/Tudo o que passou/E o que vou viver/Tudo o que passou”.

Peru Titicaca Puno

As ilhas flutuantes pelo caminho

Peru Titicaca Puno

Navegar é preciso…

Olha, conhecer a engenharia que mantém as ilhas flutuantes, entender como eram as casas, como cozinhavam, o que comiam… tudo é cultura, é compreensão, é sabedoria. Tinha até uma ave depenada secando no teto de uma das casas!

Não consegui me imaginar ali nem por mais de 1h. Aliás, nem quis sair de jangada porque estava um pouquinho incomodada naquele “lagomar” sem fim e longe de tudo. Imagine viver lá! É um frio dos infernos e não dá pra fazer uma grande fogueira. A água é gelada pra valer e não é muito viável nadar para relaxar. As casas são minúsculas: cama, fogareiro, teto. Ainda assim a comunidade total entre essa e as demais ilhas era grande! O que os levava a manter-se naquela vida? O simples fato de nascerem ali?  Duvido muito.

Peru Titicaca Puno

E cabanas

Peru Titicaca Puno

Podemos viver assim?

Peru Titicaca Puno

Lindinho!

Peru Titicaca Puno

As jangadas

Eles passaram anos afastados da humanidade, com raríssimas visitas ao “continente”. Os incas não conseguiram colonizá-los e nem acabar com suas tradições e idioma. Só nos idos dos anos 90 o governo se esforçou para levar botijões de gás e placas de energia solar para dar uma melhorada na qualidade de vida. Mesmo assim, segundo eles, poucas pessoas deixam as ilhas, ainda que conheçam as cidades de Puno ou Copacabana. Por quê?

Não sei as respostas, simplesmente achei tudo interessantíssimo.

Eles tentam vender badulaques, passear de jangada e nos comover com as crianças remelentas, mas eu só queria fazer perguntas e ouvir respostas. Para isso eles não estavam muito dispostos.

Alguns viajantes nos disseram que a visita ao Titicaca é mais interessante e rica quanto mais perto da Bolívia, ou seja, é mais legal se você vem ou vai para a Bolívia. Dizem que as ilhas por lá são mais naturais e verdadeiras e alguns sugeriram que valia a pena dormir uma noite numa delas, a Amantaní. Não sei se tenho disposição, ainda vou pensar sobre isso.

Peru Titicaca Puno

Subindo para Taquille

Peru Titicaca Puno Taquille

Pelo caminho…

Taquille

A segunda parada foi 1h de navegação depois, na ilha de Taquille.

Aqui é uma ilha de verdade, com terra, morros, casas, plantações, animais. Honestamente, embora estivéssemos na casa do chapéu e parecesse um lugar super entendiante para se viver, adorei o lugar. Achei bonito, bucólico e de certa forma, me deu uma sensação de vida verdadeira, mais integrada à natureza, ao ambiente.

Ao chegar, a turistada precisa subir um morro até a “vila”, uma pracinha com um centro de artesanato, 1 restaurante e 2 vendinhas de snakcs. Aqui até fazia um calorzinho. Achei lindo o trajeto, cheio de belas vistas, casinhas simpáticas, ovelhas e lagomar sem fim num azul profundo e calmo.

As pessoas da ilha são super tradicionais, cheias de costumes, roupas típicas, regras. São simpáticas, parecem muito batalhadoras e rígidas. Algumas senhorinhas me lembraram minha vó (que não é peruana nem nunca esteve nessas paragens) com suas saias pretas e aquela cara de quem costura, cozinha e dá bronca nos netinhos, mas está sempre ali para a família, faça chuva ou faça sol.

Peru Titicaca Puno

Pessoas tradicionalíssimas

Peru Titicaca Puno

Caminhando sob sol, de lenço, mas sem documento

Depois de uns minutos na pracinha, paramos numa casa de família para o almoço. Montaram uma mesa longa no alto da encosta, de frente para a imensidão do lago, com uma cabana de tecidos para evitar o sol. Me senti num filme em que rola um almoço na Toscana ou na Grécia. O cenário era absurdo de tão agradável. E a comida foi divina, um peixe com ervas, arroz e batata servidos com chá de muña. Quase senti vontade de morar ali. Mas uma ovelha solta ficou me encarando e percebi que não tinha água encanada. Achei que talvez eu estivesse confusa nos meus sentimentos.

No fundo, acho que aquela poderia ser uma ilha de Portugal ou da Espanha, a verdadeira colonizadora. Não temos como negar as raízes, não é mesmo? Acho que o que senti foi uma conexão com meus ancestrais e isso me deixou confortável ali.

Peru Titicaca Puno

Vovó partindo…

Peru Titicaca Puno

Hora de partir!

Depois do almoço, descida pelo lado oposto da ilha descobrindo novos caminhos, novas famílias, novas roupas no varal.

A volta de barco para Puno é direta e meio cansativa, mas todos voltam tranquilos absorvendo (mais) um dia totalmente diferente em suas vidas, cheio de esquisitices, alegrias e beleza.

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