Como fazer o trekking para o Everest Base Camp

Você quer saber como fazer o trekking para o Everest Base Camp? Já contei aqui que eu, uma pessoa meio molenga, consegui e que tenho certeza de que é muito acessível a todos. 

Agora que você criou coragem, te conto como fazer este trekking. É muito fácil organizar tudo, lembrando que as temporadas são entre abril e maio e outubro e novembro para evitar as monções e o inverno.  Basicamente você tem 3 opções: 1) se juntar à um grupo de uma agência, 2) contratar um guia particular ou 3) ir sozinho de forma independente.

Nepal Everest Base Camp

Pelo Trekking para o Everest Base Camp

O trekking pode durar o quanto você quiser, mas em geral leva 12 dias, sendo que no último dia você não vai caminhar, só vai pegar o avião de Lukla para Kathmandu. As agências falam em 14 dias, mas o primeiro e o último são o dia de chegada em Kathmandu e um dia a mais em Kathmandu na volta para o caso de ocorrer algum atraso ou cancelamento no vôo de volta de Lukla.

Vou falar de todos os meios, considerando o trekking comum de 12 (14) dias. Não inclui os preços de passagens aéreas para chegar a Kathmandu, porque isso vai depender do seu ponto de partida. Para entrar no Nepal você obtém o visto na hora de chegada. O de 15 dias custa 20 USD, o de 30 dias custa 40 USD e o de 90 dias custa 100 USD.

Como fazer o trekking para o Everest Base Camp com um grupo

Essa foi a nossa escolha. Vários fatores nos levaram à essa opção. O primeiro deles é que, mesmo conversando com pessoas que fizeram o trekking sozinhas e que nos garantiam que dava, não nos sentíamos seguros com relação ao trajeto, às eventuais dificuldades com neve, com a altitude e em como montar a rotina diária e queríamos ter um apoio de uma agência confiável e com guias experientes. Queríamos ter alguém que, se precisasse, nos dissesse “chega, é hora de voltar” em caso de mau tempo ou de passarmos mal.

O segundo ponto é que embora em geral a gente prefira não se meter em grupos com pessoas que sei lá, podem ser legais ou não, em geral a galera dos trekkings é bacana e como viajamos sozinhos por tanto tempo, achamos que, por 12 dias, seria legal ter mais companhia do que só um guia ou porter que acabamos de conhecer.

Nepal Everest Base Camp

Em Dingboche choveu, nevou, ventou e a noite fez o céu mais lindo possível! Não tem foto das estrelas pq eu não aguentava ficar no relento, como diria minha vó, mas essa ai da hora do jantar já valeu!

Além disso, tínhamos uma recomendação de uma agência e, mesmo fazendo diversos orçamentos com agências e guias privados e calculando quanto gastaríamos sozinhos, achamos que o custo-benefício compensaria.

Depois de termos feito o trekking, acrescento mais algumas vantagens nessa modalidade. A primeira é o fato de não termos que nos preocupar com nada. Estava tudo incluído: ida e volta do aeroporto, passagens aéreas para/de Lukla, obtenção das permissões, guias, carregadores, lodges e todas as refeições. Não precisamos fazer nada exceto escolher o que comer e acordar no horário. Só de pensar em ter que procurar onde ficar (no caso de ir sozinho) depois de 4/5/7 horas de caminhada já fico desanimada.

Nepal Everest Base Camp

Uma subidinha do trekking.

Outro ponto que achei ótimo é que, além de informações gerais, todos os dias o guia nos dava uma prévia de como seria a caminhada. Parece bobagem, mas o fato de você saber que vai subir por 2hs seguidas, depois andar por mais 1h no plano, parar para almoçar e depois andar mais 2hs entre subidas e descidas, por exemplo, faz com que a sua mente fique tranquila. Você já sabe o que vem pela frente e não fica com aquela ansiedade de saber se tá chegando ou não, se vai ser fácil ou difícil.

Fora isso, a agência que contratamos tinha mais uma vantagem financeira. Eles nos deram duffle bags, que vou explicar melhor depois, mas basicamente é uma mala mais resistente e impermeável que convém melhor para o trekking e também nos forneceram sleeping bags e down jackets (que devolvemos no final), 2 equipamentos específicos para baixas temperaturas que não tínhamos, não queríamos comprar e teríamos que alugar, o que custaria uns 80/100 USD no final. Não é muito, mas de grão em grão…

Kathmandu tem a maior concentração de agências por metro quadrado e você pode pesquisar pela internet ou lá mesmo, mas procure referências. A agência que utilizamos foi a Access Nepal e recomendo sem medo. De um modo geral, deu tudo certo. Fomos sempre bem atendidos e nosso guia, o Keshar, era muito experiente e amigo, sempre nos dando informações, respeitando nossos limites e investigando nossa saúde. Além do guia, nosso grupo tinha um guia assistente, o Chiran, um cara mega atencioso e simpático, que ficava para trás para garantir que eu tinha companhia quando eu não conseguia acompanhar o ritmo dos outros caras do meu grupo (sempre – Rá-rá) e nos ajudava com todas as refeições. Achei meio maluco que os lodges praticamente não tem pessoal no salão e cada guia precisa anotar os pedidos, entregar para a cozinha e depois trazer a comida e devolver os pratos do seu grupo! Mas a caixa enorme pedindo gorjeta estava sempre à vista…. Nossos carregadores também eram super bonzinhos e nossas malas chegavam sempre antes de nós em perfeito estado e eram deixadas já no quarto, o que achei muito delicado.

Nepal Everest Base Camp

Sherpas. O povo da montanha. Sorridentes, simpáticos, muito fortes e resistentes.
A vida deles não é nada fácil entre altitude, frio demais, chuva demais, montanhas demais, mas eles continuam lá possibilitando nossa visita nesse recôndito tão deles!

Nosso grupo teve mais 3 pessoas: 2 ingleses e um irlandês, todos gente boníssima. Adoramos ter feito o trekking com eles!  É difícil você ser encaminhado para um grupo grande. Os grupos grandes em geral eram de pessoas conhecidas que tinham ido juntas. A maioria dos grupos tinha de 2 (o mínimo) a 6 pessoas.

Dormimos sempre em quartos privativos – mas esteja ciente de que as paredes dos lodges são de compensados finíssimos e é essencial levar protetor de ouvido – muito limpos, a maioria com banheiro privativo também e algumas vezes com chuveiro quente. Com exceção de Lobuche e Goraksherp, em que não tem encanamento porque eles estouram com o frio, em todas as demais paradas, mesmo que não tivesse chuveiro privativo, os lodges tinham um chuveiro à gás que podíamos usar por 5 USD.

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As casinhas típicas, as monatanhas. Não cansa, juro.

O cardápio era bem parecido em todas as paradas, mas era agradável, com algumas opções de comida nepalesa, pizzas, massas e ovos para dar aquela energia, eventualmente alguma carne, em geral de búfalo ou frango e o café da manhã tinha pão, aveia, ovos, batata, várias opções. Podíamos escolher o que quiséssemos e tomar uma bebida quente. Bebidas geladas e água mineral eram pagas à parte. Depois da janta nossa agência nos servia algumas frutas, outra coisa que achei super legal. No final o pessoal já estava meio enjoado porque era todo dia maçã, mexerica e romã (porque eles levavam as frutas lá de Kathmandu, não dava para ter a variedade de uma frutaria, né?), então eu comia minha parte e a sobra deles, porque achava uma delícia. Rá-rá.

Um dia ou outro tivemos algum imprevisto, sei lá, o chuveiro não funcionou, um dos lugares em que comemos não era muito bom, mas são coisas que todo mundo passa, porque são muitas variáveis e conforme vamos indo mais longe e mais alto, as condições gerais do trekking ficam mais complexas, então considero que a agência entregou o que prometeu mesmo e que não teve nenhum problema comprometedor.

Quanto custa o trekking para o Everest Base Camp com um grupo

Nós pagamos 1196 USD por pessoa, sem as noites em Kathmandu, porque já estávamos lá em um outro hotel e incluindo os custos de 3% do cartão de crédito (você pode pagar em dinheiro). Fora isso, tivemos gastos com gorjetas (mais ou menos 15% do que você pagou no total ou 50 USD para o carregador e 100 USD para o guia que no nosso caso foi meio confuso porque passamos mais tempo com o guia-assistente, então tivemos que dar um pouco a mais), com snacks (chocolates e barras de cereais que levamos para comer entre as refeições), água (entre 1 e 5 USD, conforme subimos fica mais caro), uma ou outra bebida (5 USD uma coca, 6 USD uma cerveja), wifi (200Mb – 6 USD) e banho (5 USD cada).  No total, gastamos 2847 USD ou 1423 USD por pessoa.

Nepal Everest Base Camp

Já pertinho do Base Camp.

Considere que fizemos uma versão “normal”do trekking. Se você quiser ir com muito mais conforto, há opções bem mais caras e também opções mais baratas e cheias de perrengues.

Se você quiser ir com brasileiros, tem 2 agências que fazem o trekking para o Everest Base Camp e que considero muito boas: a Ventura Viagens e a Morgado Expedições. Você vai pagar mais caro, mas tenho certeza que o serviço será muito bom, como você poderá descobrir em qualquer relato de pessoas que fizeram o trekking com eles. Especialmente o Manoel Morgado, que já fez esse trekking umas 60 vezes, considero que oferece uma experiência bem única.

Mas se quiser economizar, contrate direto uma agência do Nepal, vale a pena.

Além desses custos, você vai precisar de um seguro que inclua resgate de helicóptero. Vou falar disso depois, mas adianto que vai custar entre 150 e 200 USD para 2 pessoas e um pouco menos do que isso para 1 pessoa, dependendo do número de dias do seguro.

Nós também precisamos comprar remédios e alguns equipamentos para levar e que vou explicar depois. Esse custo vai depender muito do que você já tem, então não vou somei no custo que já apresentei. Nós gastamos juntos mais ou menos 300 USD com esses itens.

Nosso total geral: 3100 USD  ou 1550 USD por pessoa (trekking + extras + seguro – sem nossos equipamentos)

Como fazer o trekking para o Everest Base Camp com um guia exclusivo

Outra opção para você fazer o trekking é contratar um guia privado para te acompanhar. Você pode fazer isso com uma agência ou com guia que trabalha sozinho (ele vai chamar um carregador, que também é “freelancer”). Qualquer hotel terá algum para te indicar e certamente você encontrará muitas recomendações na internet.

As grandes vantagens desse modelo são: poder montar o roteiro com mais flexibilidade e andar no tempo que quiser sem ter nenhuma preocupação com um grupo. Os guias eram simpáticos, vinham conversar, explicavam o melhor trajeto, discutiam possibilidades diferentes, é legal para quem tem alguma ideia de lugares fora da trilha que queira visitar também.

Nepal Everest Base Camp

Bandeirinhas de mantras por todos os lados, montanhas, céu azul. Quem quer mais?

Na verdade você não precisa se preocupar tanto em ficar sozinho porque durante toda a trilha você vai encontrar e conhecer pessoas e, nos lodges, sempre vai fazer amizades e ter companhia.

Só que você tem que se dar bem com o guia e ter uma certa confiança, né? O Nepal é muito seguro e em geral o povo é muito respeitoso, mas como em todo lugar com muito turismo, também tem uns espertinhos no meio. Acho que se você for um lobo solitário, vale mais a pena entrar num grupo.

Quanto custa o trekking para o Everest Base Camp com um guia exclusivo

Nós fizemos alguns orçamentos que ficavam entre 800 e 900 dólares por pessoa. É um pouco mais barato que o grupo (que custa entre 1200 e 1400 USD por pessoa com as noites em Kathmandu), mas é uma diferença pequena. Em geral, nesses casos não estão incluídas as refeições, que vão custar entre 15 e 30 USD por dia.

Considerando tudo o que a Access Nepal nos ofereceu, achamos mais econômico fazer o trekking com um grupo deles e acho que acertamos.

Não esqueça de incluir aqui as gorjetas, bebidas, wifi, banho, seguro, remédios e equipamentos…. Tudo igual ao grupo.

Total estimado em torno de 1400 USD (trekking + extras + seguro – sem suas compras de equipamentos).

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Rios, cachoeiras, montanhas, tempo para pensar na vida toda…

Como fazer o trekking para o Everest Base Camp por conta própria

A última opção é você ir sozinho, sem guia nem grupo, com a cara e a coragem, independente.

Sim, é possível e eu diria ainda que é relativamente fácil. Em qualquer esquina do Nepal você encontra um mapa com todo o caminho do trekking.

Você pode optar por fazer algum trecho diferente, mas basicamente todos no trekking fazem: dia 1: Lukla até Phakding ou Mojo, dia 2: Phakding ou Mojo até Namchee Bazaar, dia 3: dia de aclimatação em Namchee, dia 4: Namche até Tengboche, dia 5: Tengboche até Dingboche, dia 6: dia de aclimatação em Dingboche, dia 7: Dingboche até Lobuche, dia 8: Lobuche até Goraksherp e de lá até Kala Patthar ou Everest Base Camp, dia 9: Kala Pathar ou Everest Base Camp e retorno para Periche, dia 10: Periche até Namche, dia 11: Namche até Lukla, dia 12: vôo de volta para Kathmandu. Essa rota é organizada conforme subida, para evitar o mal de altitude. Veja outras opções de rotas aqui.

O caminho é bem marcado e na boa, tem tanta gente fazendo o trekking que é quase impossível se perder.

Nepal Everest Base Camp

O trekking para o Everest Base Camp tem várias pontes suspensas que por si só são uma aventura!

Vimos várias pessoas sozinhas. Ás vezes eles perguntavam onde começava o trekking ou se estavam indo pelo caminho certo, mas em geral se viravam sem ajuda de ninguém mesmo.

A grande vantagem desse modelo é a liberdade total. Você pode fazer o que quiser, quando quiser. Ou quase né? Embora você possa mudar um pouco esse trajeto que indiquei, precisa levar em consideração que não se deve subir mais de 600m de altitude por dia. Sempre que fizer isso, precisa de um dia de aclimatação, no qual você pode ficar descansando ou pode subir em algum pico que seja da mesma altitude do lugar seguinte em que você vai dormir e depois voltar para o mais baixo. É importantíssimo para evitar o mal de altitude. Então assim, ir mais rápido é quase impossível, mas ir mais devagar dá tranquilo. Você pode ficar mais um dia em algum lugar que goste, pode voltar mais devagar, parando em mais cidades e ainda pode voltar por outro trajeto. Encontramos uns amigos que estavam subindo pela rota tradicional e iam voltar via Gokyo, uma região de lago bem bonita que é mais difícil de subir do que descer. Achei uma opção interessante.

Outro ponto importante é que o tempo vira muito rápido. O ideal, então, é sempre sair cedo e terminar a caminhada por volta das 16/17hs, evitando que você pegue uma nevasca no escuro, por exemplo. 

Nepal Everest Base Camp

Ai lá no meio da montanha, ventando, nevando, e passa esse ser com seu guarda-chuva como se tivesse indo comprar pão…☂️

Você também pode contratar somente os carregadores. Pode fazer isso desde Kathmandu, mas eles estão por todo lado de Lukla. Dá para voar até lá, contratar alguém e começar a caminhada depois do almoço. Mas se você quiser ser um homão da porra ou um mulherão da porra, carregue a própria mala e seja um montanhista que todo mundo respeita.

A grande desvantagem desse modelo é que em cada parada, depois de horas e horas de caminhada, às vezes sob chuva, às vezes na nevasca, com fome e talvez dor de barriga, você vai ter que arranjar onde ficar e onde comer. No caso de você ser sozinho sozinho, um exército de um homem só, eu ainda diria que acho perigoso não ter ninguém contigo em caso de você passar mal com a altitude ou tiver algum outro problema de saúde. Considere sua segurança em primeiro lugar!

Quanto custa fazer o trekking para o Everest Base Camp por conta própria

Você vai precisar arranjar tudo: táxi para o aeroporto (em torno de USD 14 ida e volta), vôo para Lukla (em torno de USD 150 ida e volta), permissões (40 USD), e dependendo de negociação: acomodação (entre USD 10 e USD 25 por dia), comida (entre 15 e 30 USD por dia – café, almoço e jantar) e se contratar o carregador (entre 15 e 25 USD por dia).  Em torno de 500 e 800 USD com essas despesas básicas.

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A carinha dos lodges, restaurantes e bakerys é essa ai…

Alguns pontos importantes do trekking independente:

  • Em geral, se você fica num lodge, tem que fazer as refeições lá. Talvez você até possa sair e comer em outro lugar, mas nunca poderá levar comida para o lodge, eles cobram multa nesses casos e ficam bem ligados.
  • Alguns lodges fazem um bem bolado e não cobram a hospedagem se você fizer 2 refeições lá (jantar e café, normalmente), mas tem que procurar bem, porque não são comuns, então não conte tanto com isso.
  • Tudo fica lotado, então você ainda terá que se preocupar em chegar meio cedo para não ficar sem hospedagem bacana.
  • Não esqueça que você precisa providenciar o TIMS (permissão para entrada nos parques que você vai ter que mostrar nos check points ou pagará multa e que nos outros casos é feito pela agência o pelo guia) em Kathmandu. O escritório não abre aos sábados e domingos e dependendo do número de pedidos, não fica pronto no mesmo dia, então tem que se programar com relação ao tempo em Kathmandu. Aqui nesse link informações sobre como obter o TIMS.
  • Quando tiver um carregador, seja decente e veja onde ele vai dormir, se vai comer… Pagando USD 15 por dia, você não acha que ele vai ter um quarto e refeições iguais à sua, certo? Vou falar mais das condições de guias e porters em outro post, mas já vai pensando.

Não esqueça mais uma vez de incluir nessa conta: banho, wifi, bebidas, seguro, equipamentos, remédios, como já indiquei acima.

Total estimado em torno de 800 – 1000 USD (todas as despesas do trekking com carregador + extras + seguro – sem suas compras de equipamentos)

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Meu grupo lá no Everest Base Camp!!!

Pronto, agora você já sabe como fazer o trekking para o Everest Base Camp, é só escolher a forma que te agrada.

No próximo post vou detalhar como foi nosso roteiro para te dar uma ideia do que te espera e te ajudar na sua programação. Na sequência vou falar da organização prévia e equipamentos necessários.

Até!

 

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1 Resultado

  1. Viajento disse:

    A não ser que eu estivesse já com um grupo grande, também faria com a mesma opção que vocês fizeram. Adorei o relato!

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